Os Executivos da Colômbia e dos Estados Unidos assinaram nesta terça-feira dois memorandos de entendimento para reforçar a colaboração em energia nuclear de uso civil e no âmbito dos minerais críticos e terras raras, aproveitando a visita ao país sul-americano do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
"Estes acordos fazem parte dos esforços de nossos países para revitalizar a parceria entre os Estados Unidos e a Colômbia, que conta com mais de 200 anos de história, e restabelecê-la como pilar fundamental da segurança e da cooperação econômica em nosso hemisfério", destaca a carteira de Rubio em um comunicado.
Marco sobre minerais críticos e terras raras
Quanto ao memorando sobre minerais críticos, estabelece-se um marco de cooperação entre Washington e Bogotá para assegurar cadeias de suprimento "resilientes, diversificadas e justas de minerais críticos e terras raras", com o compromisso de ambos os governos de "mobilizar o apoio dos setores público e privado", por meio de "garantias, empréstimos, capital, acordos de compra, seguros ou facilitação normativa" com o fim de identificar e financiar "conjuntamente" projetos de extração e processamento "em um prazo de seis meses a partir da assinatura".
O texto impulsiona a "simplificação" dos procedimentos para conceder permissões, a criação de mecanismos de fixação de preços que protejam o mercado -- como os preços mínimos --, o desenvolvimento de ferramentas de avaliação da segurança nacional para a venda de ativos vinculados a minerais críticos, o investimento em tecnologias de reciclagem e a cooperação em cartografia geológica.
Os minerais críticos são elementos químicos presentes na natureza cuja demanda disparou enquanto sua oferta continua sendo limitada. Eles são utilizados de forma habitual na fabricação de dispositivos tecnológicos de todo tipo, contribuindo para aumentar a eficiência, o desempenho, a velocidade, a durabilidade e a estabilidade térmica.
Sua importância aumentou por sua estreita conexão com a transição energética: são essenciais, por exemplo, em painéis solares fotovoltaicos e em baterias para veículos elétricos. Entre os mais demandados figuram o alumínio, o cromo, o cobalto, o cobre, o ferro, o chumbo, o níquel, o zinco e as terras raras.
No Colômbia foram detectados indícios de lítio no noroeste do território, de cobre em regiões como o departamento do Chocó, no Pacífico, e de tungstênio no departamento de Caldas, no centro do país, encontrado recentemente por uma empresa que buscava ouro, prata e cobre na área, segundo informa o diário 'Portafolio'.
Aliança em energia nuclear civil
Em relação ao memorando sobre cooperação nuclear civil, o Departamento de Estado dos Estados Unidos destacou que se baseia nas obrigações do Tratado de Não Proliferação e nas salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica, em um contexto em que, sublinhou, "a Colômbia está considerando o uso da energia nuclear para promover a segurança energética".
O documento reúne a "intenção conjunta" de colaborar no fortalecimento das capacidades regulatórias, na criação de alianças com a indústria e nas trocas científicas e acadêmicas, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento da infraestrutura nuclear civil e a formação de pessoal especializado no país latino-americano.
O acordo também contempla a exploração de tecnologias nucleares americanas --incluindo reatores avançados e modulares pequenos--, assim como combustível, equipamentos e serviços, e o impulso de aplicações energéticas e não energéticas, entre elas reatores de pesquisa, radioisótopos --forma instável de um elemento que emite radiação para se transformar em uma forma mais estável--, medicina nuclear, usos agrícolas e gestão de resíduos.
Os Estados Unidos já mantêm acordos bilaterais de cooperação nuclear com fins exclusivamente pacíficos, conforme o artigo 123 de sua Lei de Energia Atômica, com outros Estados da região como Argentina, Brasil, México e Paraguai.
Reações políticas e debate interno na Colômbia
No âmbito da reunião realizada nesta terça-feira em Barranquilla, capital do departamento do Atlântico, entre Rubio e o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, o mandatário assegurou que este encontro de alto nível "ratifica com fatos e absoluta determinação" que a "aliança" entre Washington e Bogotá "está mais firme do que nunca".
"Avançamos em uma agenda conjunta para fortalecer a segurança regional, combater frontalmente o narcoterrorismo, cumprir e colaborar nos assuntos fronteiriços e abrir novas oportunidades de investimento, desenvolvimento e prosperidade para nossos povos", afirmou o líder ultradireitista em uma mensagem nas redes na qual assegurou que seu país "retoma sua liderança internacional com seriedade, caráter e uma diplomacia de resultados, não de discursos".
A visita de Rubio provocou críticas imediatas por parte da oposição. O senador Iván Cepeda, ex-candidato presidencial esquerdista pelo então oficialista Pacto Histórico, divulgou um vídeo nas redes sociais no qual afirma que a viagem tem "todas as características de ser um ato de entrega de aspectos estratégicos" da "soberania" nacional.
"O anúncio de que nesta visita serão assinados acordos que comprometem a riqueza mineral e energética do país, que serão abordados assuntos próprios da segurança nacional, assim como outros temas fundamentais para o futuro da Nação, me obriga a expressar publicamente meu mais enfático repúdio aos compromissos que de maneira inconsulta o senhor De la Espriella está entregando ao domínio de uma potência estrangeira", exclamou lembrando que "todo acordo ou convênio internacional" que assinar o Executivo central "deverá ser aprovado pelo Congresso e pela Corte Constitucional".
Em contraste, o senador e diretor do partido direitista Movimento Salvação Nacional, Enrique Gómez, que se apresenta nas redes como "o senador do Tigre" --apelido com o qual se identifica De la Espriella desde o início de sua carreira presidencial--, avaliou positivamente a jornada e disse confiar que é "um avanço determinante que vai ter efeitos muito positivos em recuperar o controle do território e trazer aos cidadãos a tranquilidade e segurança".
"O plano internacional havia se tornado uma vergonha, não só pela conduta do presidente, mas por suas decisões de política, sobretudo nos temas de política criminal, luta contra o terrorismo internacional e, obviamente, apoio às ditaduras do continente", indicou Gómez diante da imprensa, aludindo ao predecessor de Abelardo de la Espriella na Casa de Nariño, Gustavo Petro.