O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, atacou nesta quinta-feira a França, a qual reprocha uma "hipocrisia" evidente ao "dar lições ao mundo sobre Direitos Humanos" enquanto, segundo sustenta, "apoia o genocídio de Israel em Gaza" e "a agressão" contra Teerã. Suas palavras ocorrem depois que o Elíseo se juntou, por meio de uma declaração conjunta, a cerca de uma trintena de países que condenaram as execuções de manifestantes e opositores no país persa.
"Países como a França deveriam parar de dar lições ao mundo sobre 'Direitos Humanos' e Direito Internacional. A hipocrisia é flagrante e vergonhosa", escreveu o alto funcionário iraniano em uma mensagem nas redes na qual sustentou que o "apoio" da França "ao genocídio de Israel em Gaza" e "à agressão contra o Irã" destruíram "qualquer superioridade moral" que acreditam ter.
As declarações de Araqchi foram conhecidas horas depois de que a alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, Kaja Kallas, junto a quase trinta Estados --entre eles Espanha, França, Reino Unido, Suécia ou Nova Zelândia-- expressaram seu repúdio "com a maior firmeza" às "continuas execuções de manifestantes e o recurso à pena de morte" por parte do Irã.
"O recurso à pena capital para silenciar os dissidentes, intimidar as comunidades e punir aqueles que exercem seus direitos fundamentais não pode ser justificado sob nenhum conceito", reza o texto divulgado pelo ministério das Relações Exteriores francês, o qual reivindica a importância de que o povo iraniano seja "livre para exercer seus direitos à liberdade de expressão e à liberdade de reunião pacífica sem temor algum".
Na mesma linha, os países signatários da declaração instam a República Islâmica a pôr fim "imediatamente" ao "uso da pena de morte", a libertar "todas as pessoas detidas arbitrariamente" e a atender "a voz de seu povo" que, defende o documento, "reclama uma mudança".
Concretamente, apoiam o texto França, Canadá, Albânia, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Macedônia do Norte, Montenegro, Nova Zelândia, Países Baixos, Portugal, República Tcheca, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Suécia e Reino Unido, além da própria Kallas.
Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, denunciou nas redes sociais que a "repressão insuportável e desumana" que, ressaltou, está sendo realizada pelo Irã contra sua própria população "deve cessar".
"Sete meses depois dos crimes massivos cometidos contra o povo iraniano, que se levantou para reivindicar justiça e dignidade, o regime continua derramando sangue ao multiplicar as execuções", apontou Barrot defendendo que os responsáveis sejam responsabilizados e os presos políticos sejam libertados.
O chefe da diplomacia francesa aludia assim às execuções de cidadãos iranianos acusados de supostos crimes relacionados com as protestas antigovernamentais registradas no Irã entre o final de dezembro e o início de janeiro.
Segundo os dados divulgados pela cúpula iraniana, naquela época morreram 3.117 pessoas, na sua maioria civis e membros das forças de segurança. No entanto, a ONG Human Rights Activist in Iran, com sede nos Estados Unidos, eleva o balanço de falecidos a mais de 7.000.