O membro do Conselho de Liderança Presidencial do Iémen e governador de Marib, Sultán bin Ali al Arada, responsabilizou neste sábado os rebeldes houthis por fechar a porta a um acordo político e empurrar novamente o país para a via militar, ao mesmo tempo em que sublinhou que a prioridade passa por restaurar as instituições do Estado e retomar a capital, Sanaa.
Em declarações à cadeia de televisão iemenita Saba, Al Arada defendeu que as autoridades reconhecidas internacionalmente investiram os últimos anos em tentar uma saída negociada para a guerra e aceitaram concessões significativas com o fim de deter as hostilidades, proteger a população civil e avançar para um cenário de estabilidade.
Segundo seu relato, divulgado também nas redes sociais, desde 2022 o Conselho de Liderança Presidencial colocou a busca pela paz no centro de sua folha de rota, com o apoio das Nações Unidas, Arábia Saudita, Omã e outros países. No entanto, acusou os houthis de rejeitar essas propostas e devolver o conflito a uma fase dominada pela confrontação armada.
O governador de Marib vinculou essa atitude às posições políticas e militares dos houthis e às suas conexões com o Irã. Diante desse panorama, ressaltou que as autoridades devem se adaptar a uma nova realidade na qual a prioridade é restabelecer o controle estatal e pôr fim ao domínio das milícias.
Al Arada indicou que a recuperação das instituições do Estado e a libertação das áreas controladas pelos houthis constitui neste momento o objetivo central das forças alinhadas com o Governo, uma meta que apresentou como uma reivindicação compartilhada pela sociedade iemenita.
Sobre a situação militar, apoiou a atuação das Forças Armadas nos diferentes fronts e enfatizou que cumprem suas funções em apoio às autoridades reconhecidas. O governador avançou ainda que nos próximos dias podem ocorrer avanços favoráveis para as forças governamentais.
Marib, epicentro da ofensiva
Al Arada apontou a província de Marib como um dos principais cenários do conflito e assegurou que as tropas ali destacadas mantêm como prioridade a vitória e o apoio ao restante dos fronts. Nesse contexto, reiterou que a recuperação de Sanaa continua sendo o objetivo final das operações militares.
O dirigente iemenita admitiu que alcançar essa meta implicará um custo elevado em vidas e recursos, mas defendeu que os comandos e combatentes situados nas linhas de frente assumem uma responsabilidade histórica na defesa do Estado e do que descreveu como "dignidade nacional".
Em relação aos últimos acontecimentos na costa, Al Arada reconheceu que se trata de uma situação "dolorosa e lamentável", embora tenha minimizado sua relevância estratégica ao enquadrá-la na dinâmica própria de uma guerra, marcada por avanços, retrocessos, derrotas e vitórias.
Nesse sentido, insistiu que esses episódios não devem desviar o objetivo das forças governamentais nem frear sua campanha. Assim, o governador recorreu à expressão "batalha sagrada" para definir a luta pela recuperação do Estado.
Al Arada expressou igualmente sua confiança nos comandos militares responsáveis por dirigir as operações e informou sobre a chegada a Marib de novos efetivos provenientes de outras áreas. Segundo explicou, foi habilitado um acampamento para acolhê-los e foram implementadas medidas para atender às pessoas deslocadas da costa.
Nesse contexto, o governador garantiu que esses deslocados serão recebidos em Marib e ressaltou a disposição da população local em oferecer ajuda. "Entre seus irmãos", afirmou ao descrever a acolhida que terão os recém-chegados, a quem equiparou com os habitantes da província em termos de direitos e obrigações.
Ao mesmo tempo, indicou que as unidades que abandonaram suas posições na costa estão em um processo de reorganização e assegurou que retornarão à frente "de uma forma ou de outra".
Mobilização social e apoio regional
O dirigente iemenita destacou também a implicação de diferentes setores da população no esforço bélico. A seu ver, a mobilização em diversas províncias demonstra um alto grau de compromisso e responsabilidade nacional, já que os cidadãos não se limitam a esperar a intervenção das Forças Armadas.
Segundo Al Arada, parte da população contribui de maneira direta para a recuperação das instituições estatais por meio do envio de combatentes, armamento, veículos e outros recursos.
Por fim, o governador de Marib valorizou o apoio recebido dos países árabes aliados, com especial menção à Arábia Saudita, a quem atribuiu um papel importante de apoio ao povo iemenita.
O conflito no Iémen enfrenta há anos os houthis, que controlam Sanaa e amplas zonas do norte e oeste, com as forças alinhadas com o Governo reconhecido internacionalmente e seus aliados. As tentativas diplomáticas para alcançar uma saída pactuada coexistiram com episódios recorrentes de tensão e combates.