Lima anuncia que o novo fiscal interino vai ser detido por frear a causa contra seu antecessor

O Governo boliviano ordena deter o fiscal interino Montaño por usurpação de funções e por tentar frear a investigação do caso Marset.

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O Governo da Bolívia anunciou que a Polícia procederá à detenção do recém-nomeado procurador-geral, Luis Montaño, que havia assumido o cargo apenas algumas horas antes, ao acusá-lo de usurpação de funções e de tentar obstruir a investigação aberta contra as autoridades implicadas no caso Marset, entre elas seu predecessor destituído e preso, Róger Mariaca.

"Quero denunciar o senhor Luis Montaño Morales, que de maneira ilegal e ilegítima está fazendo usurpação de funções, autodeclarando-se como procurador-geral", afirmou o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, em uma coletiva de imprensa na qual sublinhou que "essa pessoa está sendo procurada e vai ser detida porque também vai ter que prestar contas à Justiça", recolheu o diário boliviano 'El Deber'.

O aviso do Executivo ocorre poucas horas depois que Montaño se apresentou como procurador-geral do Estado na qualidade de interino, após a prisão de Róger Mariaca, detido junto ao procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos.

Gálvez apontou o procurador interino por tentar frear as investigações sobre os detidos, acusando-o de se situar "do narcoterrorismo e da estrutura criminosa" e advertindo que, por esse motivo, "receberá uma resposta firme e direta por parte do Governo".

A versão oferecida pelo porta-voz de Rodrigo Paz choca com o relato de Montaño, que defendeu que assumiu o cargo de forma interina por ser o procurador superior com maior antiguidade e com o objetivo de evitar um vácuo institucional após a captura de Mariaca.

A própria Procuradoria — que havia qualificado de "ilegal e informal" a operação policial na qual foram detidas 14 pessoas, entre elas Mariaca e Zeballos — apoiou a postura de seu responsável interino, lembrando que, diante da ausência definitiva do titular, a chefia do órgão recai sobre o procurador departamental ou superior conforme a ordem de precedência prevista na lei.

Não obstante, o Executivo rejeitou essa interpretação, e o ministro de Governo, Marco Oviedo, insistiu que cabe à Assembleia Legislativa Plurinacional nomear o novo procurador-geral em uma sessão marcada para esta sexta-feira.

"Amanhã é a Assembleia que decide. Não se pode auto-nomear fiscal interino. Será a Assembleia de onde emerge a nomeação do fiscal geral que terá que decidir amanhã em uma sessão que está convocada", manifestou em uma comparecência na qual também defendeu a legalidade das detenções praticadas.

O caso, que gerou uma forte comoção na cena política boliviana, evoluiu com grande rapidez: na última segunda-feira, o Governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra vários cidadãos e autoridades sul-americanas, entre os quais figurava o então fiscal geral, Róger Mariaca.

Embora Mariaca rejeitou o que considerou pressões externas e assegurou que não frearia nenhuma investigação, Lima solicitou informações a Washington no dia seguinte e, dois dias depois, ordenou a operação na qual finalmente foi preso.