O número de palestinos que tiveram que abandonar suas casas nos arredores da cidade cisjordaniana de Hebrom aumentou nesta segunda-feira para 2.649, no contexto das operações militares lançadas pelo Exército de Israel como represália pelo ataque registrado na semana passada na área, no qual morreram dois soldados israelenses às mãos de dois palestinos que foram abatidos.
As autoridades locais detalharam que as forças israelenses já instalaram cerca de 120 postos de controle militar na região, ao mesmo tempo em que se intensificam as incursões, o deslocamento de efetivos, o reforço dos cercos e a confiscacão de veículos, de acordo com as informações divulgadas pelo jornal palestino 'Filastin'.
O governador de Hebrom, Jaled Dudin, denunciou que as forças israelenses estão "destruindo deliberadamente casas e intimidando os residentes" e os acusou de terem estabelecido "centros de interrogatório no terreno". "Eles detiveram mais de 70 cidadãos até a data, o que ressalta o assédio e os abusos que sofrem os habitantes da governadoria", afirmou.
Testemunhas oculares asseguraram ter visto soldados israelenses abrirem fogo contra veículos civis durante essas operações, que, segundo alertou Dudin, forçaram o deslocamento de pelo menos 450 famílias, mais de 2.300 pessoas, apenas nas áreas de Deir Baha e Al Jalda.
Além disso, foram realizados registros em mais de 500 residências, o que contribuiu para a fragmentação da governadoria e para limitar a liberdade de movimento da população, que afirma que essas áreas ficaram "bloqueadas".
Por outro lado, as autoridades apontaram que durante o mês passado de setembro foram documentados pelo menos 272 ataques perpetrados pelas forças israelenses e colonos na governadoria de Hebrom, dos quais 122 foram atribuídos a colonos. Nesse mesmo período, foram realizadas 19 demolições que afetaram 91 instalações, o que tornou Hebrom a governadoria da Cisjordânia com o maior número de infraestruturas destruídas nesse intervalo.
Durante o fim de semana, o prefeito de Hebron, Yusef al Yaabari, advertiu que a operação militar israelense buscava provocar a saída de outras 2.500 pessoas de suas casas em dois bairros adicionais da cidade, os mesmos em que residiam os supostos atacantes, identificados como Mohamad Yaaba e Firas Yaaba. O Exército israelense calcula que existem cerca de 2.000 membros do clã Yaaba na área e vincula este grupo familiar ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamás).
As Forças Armadas israelenses indicaram então que permitiram que os civis que "pediram a evacuação" deixassem a área sempre através de controles militares e após um exaustivo registro e interrogatório de segurança. Além disso, sublinharam que as operações se prolongariam durante vários dias.
As autoridades israelenses mantêm que os edifícios demolidos foram erguidos de forma ilegal na Zona C da Cisjordânia, sob controle exclusivo de Israel e onde não são concedidas licenças de construção há anos.