O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, manifestou nesta quinta-feira que a Ucrânia "não está preparada" para se incorporar à União Europeia. O dirigente expressou suas dúvidas sobre a capacidade de Kiev para respeitar os compromissos bilaterais alcançados com Budapeste em matéria de direitos das minorias na região ucraniana de Transcarpácia, um assunto que, em sua opinião, pode colocar em risco o avanço das aspirações europeias ucranianas.
"A Ucrânia é um país em guerra. Claramente não está preparada para se unir à UE e acho que qualquer coisa que a UE ou os líderes dos Estados-membros tentem fazer para convencer a Ucrânia é um erro", declarou à imprensa, segundo o portal de notícias Index.
Magyar sublinhou que a Hungria fechou com a Ucrânia um entendimento para restaurar os direitos linguísticos, educativos, culturais e de outra natureza da minoria húngara assentada em Transcarpácia —no sudoeste do país—, embora tenha admitido que mantém reservas sobre sua aplicação efetiva.
"A Ucrânia aceitou este acordo, que tem datas específicas. No entanto, ainda não vemos que tenha se concretizado nada", ressaltou. Ao mesmo tempo, reiterou que defende que Kiev não eluda nenhum dos passos burocráticos habituais para a adesão à UE e rejeitou a ideia de um "procedimento acelerado".
Após a Hungria levantar o bloqueio técnico que mantinha, a Ucrânia pôde abrir formalmente as negociações de ingresso na União Europeia, depois que Budapeste e Kiev pactuaram uma ampliação dos direitos da comunidade húngara em Transcarpácia. Esta retirada do veto permitiu ao Conselho da UE autorizar o início das conversas.
Embora o Governo húngaro tenha dado seu visto bom para começar o primeiro cluster de negociações —um bloco de capítulos centrado nos "fundamentos básicos", que abordam questões democráticas essenciais—, a posição oficial de Budapeste continua sendo marcadamente cética.
A origem do desencontro situa-se nas normas aprovadas pelo Parlamento ucraniano em 2017 e 2019 sobre o uso de línguas minoritárias em centros educativos e instituições, que limitaram o emprego do húngaro no ensino público e na administração local.
O anterior Executivo de Viktor Orbán converteu o veto à Ucrânia em um de seus eixos de pressão, bloqueando tanto a ajuda financeira europeia a Kiev quanto o início de suas conversas de adesão, enquanto reclamava a plena restituição dos direitos da minoria húngara da Transcarpácia. Em dezembro de 2023, a Rada ucraniana aprovou mudanças parciais nessas leis para devolver parte das garantias às minorias, mas Budapeste considerou que as modificações continuavam sendo insuficientes.