O Supremo do Brasil abre investigações a Flávio Bolsonaro por suposto branqueamento de capitais

O Supremo do Brasil analisa um novo expediente sobre Flávio Bolsonaro por suposta lavagem de dinheiro vinculada ao advogado Willer Tomaz e grandes movimentos de dinheiro.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil recebeu da Polícia Federal (PF) um novo dossiê de investigações sobre o senador e aspirante ultraconservador à Presidência, Flávio Bolsonaro. O parlamentar já figurava em outro processo por um pedido de fundos ao banqueiro Daniel Vorcaro --ex-proprietário do Banco Master, liquidado após a descoberta de um esquema de fraude e falsidade documental-- destinado ao filme 'Dark Horse', uma homenagem ao seu pai, o ex-presidente do Brasil condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro.

Este novo procedimento aponta para possíveis crimes de lavagem de dinheiro nas relações entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz --também sob a mira por movimentos suspeitos de dinheiro no setor de apostas--, segundo adiantou neste domingo o jornal 'Estadão' e confirmou depois 'Folha'.

O sumário chegou ao STF no dia 8 de outubro e, após a distribuição por sorteio, ficou nas mãos do juiz Alexandre de Moraes, o mesmo magistrado que instruiu o processo que terminou com a condenação a 27 anos e três meses de prisão para Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, assim como a causa pela qual Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tentar coagir magistrados e promover dos Estados Unidos sanções contra o Brasil para obstruir o caso contra seu pai.

De acordo com 'Estadão', fontes com acesso ao expediente teriam confirmado que o candidato ultraconservador --que, em sua condição de senador, goza de foro privilegiado, motivo pelo qual o caso está no Supremo-- já figura formalmente como investigado.

"A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, funcionários públicos, membros do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (...). Entre os vínculos que merecem especial atenção está o relacionado com o senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados", aponta a Polícia Federal no relatório citado por 'Estadão'.

Na documentação são registradas anotações sobre festas, encontros e reuniões compartilhadas por Willer e Flávio, pagamentos de viagens em favor do senador e a conexão com uma conta bancária da sociedade Alcazar Holding, na qual Flávio constava como "usuário mestre".

"Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros encontrados, figuram referências a festas, encontros e reuniões nas quais ambos participaram, além de documentos de caráter pessoal vinculados a Flávio que foram encontrados no iCloud de Willer", detalha a PF, que acrescenta que uma das contas do advogado movimentou cerca de 130 milhões de reais (22,9 milhões de euros) entre março e maio de 2025 e ressalta a necessidade de aprofundar na origem e destino desses fundos.

Resposta da defesa de Flávio Bolsonaro

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro enviou uma nota ao 'Estadão' na qual sustenta que "a informação publicada é errônea" e rejeita que seu cliente esteja sendo investigado pelo Supremo. "Apresentar como uma 'nova investigação' o que não é mais do que um expediente recém-registrado e pendente de análise distorce a realidade e induz a erro o leitor", afirma a defesa do senador.

A reação do advogado Willer Tomaz

Os representantes legais de Willer Tomaz manifestaram sua "estranheza" pelo fato de que, "no domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, vaze uma suposta investigação até então desconhecida". "Trata-se de um uso indevido do aparato policial com o claro propósito de reflotar acusações infundadas e interferir no resultado eleitoral", denunciam os advogados de Tomaz, que negam a existência de "nenhum movimento financeiro irregular".

"Resulta igualmente inaceitável que o levantamento do segredo das comunicações telemáticas do advogado Willer Tomaz sirva como instrumento para uma 'pesca probatória' destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais", conclui o comunicado de sua defesa.