O presidente da Rússia, Vladimir Putin, atacou nesta sexta-feira os países ocidentais, a quem acusa de tentar recuperar a "liderança perdida" recorrendo a "métodos pouco aceitáveis". O dirigente aludiu neste contexto às sanções econômicas e a outras medidas restritivas dirigidas contra Estados membros dos BRICS, entre eles Rússia e Irã.
Durante sua intervenção na cúpula de líderes do bloco realizada na Índia, Putin sublinhou que o planeta "atravessa atualmente uma fase de profunda transformação estrutural". "Isso se deve ao fato de que novos motores de crescimento estão substituindo os antigos líderes, ou, melhor dizendo, os antigos líderes que estiveram na vanguarda do crescimento econômico durante a segunda metade do século passado", destacou.
Na sua opinião, as potências ocidentais tentam restaurar sua antiga posição de domínio "por todos os meios possíveis", e censurou que recorram a "formas pouco aceitáveis", em referência à ofensiva iniciada no final de fevereiro contra o Irã. "Essas formas pouco aceitáveis estão se manifestando a nível estatal", acrescentou, segundo declarações coletadas pela agência TASS.
O chefe do Kremlin criticou que o Ocidente recorra a "medidas de impacto direto sobre instalações industriais e logísticas, oleodutos e outras infraestruturas, assim como sua destruição", aludindo aos ataques ucranianos em território russo.
"Está-se tentando bloquear os corredores internacionais de transporte, apoderar-se de navios mercantes e também se empregam restrições ilegais, junto com ameaças das chamadas sanções secundárias contra aqueles que não estão dispostos a agir no interesse de outros, mas que defendem seus próprios interesses nacionais", insistiu.
Putin sustentou igualmente que o castigo econômico impulsionado pelos países europeus está tendo um efeito bumerangue, ao provocar uma desaceleração em suas próprias economias e limitar sua capacidade de implementar "políticas inovadoras".
"Impunham-se mais de 30.000 sanções contra a Rússia. É quase o dobro do que contra todos os países do mundo juntos. Essa é a estatística", denunciou. Frente a isso, defendeu que Moscou aproveitou esse cenário para reforçar sua soberania nacional e estreitar "vínculos com parceiros confiáveis e previsíveis". "Em apenas quatro anos, a geografia do nosso comércio exterior mudou drasticamente", concluiu.