Elif Eralp é a candidata do Die Linke à Prefeitura-Governo de Berlim nas eleições regionais deste 20 de setembro. Nascida em Munique em 1981 e filha de pais que chegaram à Alemanha como refugiados provenientes da Turquia, mudou-se posteriormente com sua família para Dortmund e Hamburgo antes de se estabelecer em Berlim.
Seu perfil combina uma trajetória jurídica com mais de uma década de atividade política. É deputada da Abgeordnetenhaus, o Parlamento regional berlinense, desde novembro de 2021 e atualmente é vice-presidente do grupo parlamentar do Die Linke. Também ocupa uma vice-presidência na direção regional do partido.
Da advocacia à política
Eralp estudou Direito na Universidade de Hamburgo entre 2001 e 2007, com especialização em Criminologia, e completou posteriormente o período de estágios jurídicos e o segundo exame estatal. Durante sua formação, participou de projetos de apoio a jovens com antecedentes migratórios e em organizações de juristas críticos.
Desde 2010, trabalhou como assessora de política jurídica para o grupo parlamentar federal do Die Linke no Bundestag. Também foi representante sindical e membro da direção regional do Die Linke em Berlim desde 2018.
Seu ativismo político em Berlim tem se concentrado especialmente em questões relacionadas à imigração, igualdade, luta contra a discriminação e acesso a uma habitação acessível.
A habitação, no centro de seu programa
A habitação é um dos principais eixos de sua candidatura. Em seu programa, Eralp sustenta que o aumento dos aluguéis está expulsando famílias de seus bairros e propõe reforçar o parque de habitação acessível.
A candidata também questiona o papel das grandes empresas imobiliárias e defende que as habitações devem ter como finalidade principal servir de lar e não apenas como ativo de investimento. Entre as propostas do Die Linke está avançar na socialização de grandes empresas imobiliárias, uma questão que já foi submetida a referendo em Berlim em 2021.
Seu programa incorpora ainda outras questões relacionadas com o custo de vida e os serviços públicos, como transporte, escolas, creches e atendimento nos escritórios da Administração.
O que precisaria para governar Berlim?
Que Die Linke seja a candidatura mais votada não implicaria por si só que Eralp possa formar Governo. Para se tornar prefeita-governadora de Berlim, precisaria contar com uma maioria na Abgeordnetenhaus, seja por meio de um acordo de coalizão ou por meio de outro mecanismo parlamentar que permita reunir os apoios necessários.
Por isso, o resultado das eleições determinará não apenas o número de deputados de cada formação, mas também quais combinações de partidos podem alcançar uma maioria e quem pode liderar o próximo Executivo regional.
A possibilidade de que Eralp lidere o Governo dependerá, portanto, da composição final do Parlamento e das negociações posteriores entre as distintas formações.
Uma candidata com um perfil pouco habitual
Sua candidatura também tem uma dimensão simbólica dentro da política berlinense. Eralp é filha de refugiados provenientes da Turquia e desenvolveu boa parte de sua trajetória política em assuntos relacionados com a imigração e a participação de pessoas com antecedentes migratórios.
A própria candidata apresenta seu perfil como o de uma jurista, mãe e residente em Berlim que conhece de perto os problemas relacionados com a habitação e os serviços públicos.
A jornada eleitoral deste domingo determinará se Die Linke obtém os assentos necessários para tentar formar Governo e se Eralp pode se tornar a próxima chefe do Executivo de Berlim.