A eurodeputada do Podemos e ex-ministra da Igualdade, Irene Montero, reiterou que seu objetivo é impulsionar uma candidatura que aglutine todo o espaço político situado à esquerda do PSOE. Nesse contexto, defendeu que umas primárias abertas para escolher o referente eleitoral são a via adequada para sair do "loop eterno" sobre como articular a unidade da esquerda.
Em uma entrevista na Cadena Ser, recolhida pela Europa Press, Montero sublinhou que a única maneira de desbloquear a situação da esquerda alternativa é que a "gente tome a palavra", precisando que isso não supõe em nenhum caso uma postura de "antipartidos".
A ex-ministra propôs no sábado passado a celebração de primárias abertas, nas quais possa participar e se apresentar qualquer pessoa, mesmo que não milite no Podemos, durante um ato em que oficializou sua intenção de ser candidata nas próximas eleições gerais.
Com essa proposta, adiantou-se ao resto das forças ao oferecer um método concreto para medir apoios na esquerda e elevou a pressão sobre os partidos integrados no Sumar, que ainda não definiram candidato para as gerais previstas em 2027.
Além disso, Montero recupera assim uma reivindicação que o Podemos já havia colocado sobre a mesa no âmbito de suas discrepâncias com o Sumar na hora de configurar a candidatura das eleições gerais de 2023.
Dessa forma, Irene Montero chama a organizar umas "grandes primárias" como fórmula para construir uma confluência que represente aqueles que se sentem decepcionados com a incapacidade do Governo para conter a alta de preços e percebem que o atual modelo econômico não dá resposta aos seus problemas.
"Mais garantias de acertar" com umas primárias abertas
Questionada se esse movimento supõe que será a candidata do Podemos, a eurodeputada assinalou que sua intenção não é se restringir unicamente ao seu partido, mas levantar uma candidatura que "represente toda a esquerda". Assim, indicou que aspira a que a escolham como candidata "não somente as pessoas do Podemos".
Montero criticou que as formações levam "quatro, cinco ou seis anos" imersas em debates sobre como organizar o espaço à esquerda do PSOE e defendeu que é imprescindível romper já com essa dinâmica. A seu ver, é necessário abrir um processo participativo que conecte com aqueles que "não veem saída para as coisas, mas que sabem que é urgente que haja certas mudanças e que têm a confiança de que a política pode servir para voltar ao básico", em referência à melhoria das condições materiais básicas.
"Se fizermos umas primárias nas quais possa participar todo mundo e às quais possa se apresentar todo mundo, acho que temos mais garantias de acertar e de fazer as coisas bem e de sair um pouco desse ciclo eterno", afirmou, insistindo que esse mecanismo pode ativar o eleitorado da esquerda alternativa. "Parece-me que é a melhor garantia de sucesso", concluiu.