O ministro para a Transformação Digital e da Função Pública, Óscar López, sustenta que a relação "frutífera" entre PNV e PSOE proporcionou "estabilidade política" tanto no País Basco quanto no resto da Espanha. Além disso, sublinha que a Espanha "é capaz de defender suas fronteiras com estrito respeito à lei e aos direitos humanos" e garante que o Governo "devolverá a normalidade a Ceuta".
Em uma entrevista publicada neste domingo pelo Diário Vasco, o ministro reflete sobre a opção de reeditar um acordo progressista na próxima legislatura após as eleições, e ressalta que o PSOE é "especialista em derrotar a ultradireita e as pesquisas".
Nesse contexto, adverte que "acho que há um problema, e é que a direita se rendeu porque comprou o quadro, os insultos, os discursos e as barbaridades da ultradireita. Não só na Espanha, em outros países também. E Feijóo não entende que cada vez que não apoia algo sensato do Governo, cada vez que confunde a oposição com a demolição, está engordando o Vox".
Quanto à continuidade do Executivo na conjuntura atual, insiste que "aprovar os Orçamentos é importante" mas lembra que "é preciso destacar que após a pandemia o presidente do Governo se desdobrou em Bruxelas para conseguir os fundos europeus, e isso nos permitiu injetar na economia espanhola dezenas de milhares de milhões de euros". Nessa linha, ressalta que "governar não é apenas os Orçamentos. Queremos que haja Orçamentos? Sim. Governar é apenas uns Orçamentos? Não".
Ao ser questionado sobre se as palavras do porta-voz do PNV no Congresso, Aitor Esteban, que sugeriu que talvez "Marrocos pudesse ter informação comprometida de Sánchez", deterioraram os vínculos do Governo com os jeltzales, o ministro responde que "é preciso diferenciar".
Nesse sentido, propõe: "Serviu a relação entre o PSOE e o PNV para dar estabilidade à Espanha e ao País Basco? A resposta é sim, sem dúvida. O País Basco desfruta de uma estabilidade política que tem sido boa, e a Espanha leva oito anos de governo progressista graças a essa relação ter sido frutífera".
Para López, Aitor Esteban se equivocou com essas manifestações, "sem nenhuma dúvida". "É mais, não me parece com o senhor Esteban, que é uma pessoa geralmente ponderada, que mede suas palavras. De repente, entrar nesse relato conspiranoico não me encaixa. Acho que ele se equivocou e estou convencido de que até ele está arrependido do que disse", remacha.
Sobre a possibilidade de trasladar a Euskadi os acordos de governabilidade que o Governo mantém com EH Bildu em Madrid, lembra que no País Basco "também houve ultimamente acordos entre o PNV e Bildu".
Na sua opinião, "acho que estamos no jogo democrático ordinário e que essa cultura do acordo que se dá em Euskadi é muito positiva. Muitas coisas nos afastam de Bildu, mas compartilhamos certas políticas sociais".
Ceuta e a gestão da crise migratória
Em relação à situação em Ceuta, o ministro rejeita que a crise migratória vá ser "a puntilla" para o presidente do Governo, Pedro Sánchez, embora reconheça que "é uma crise sem precedentes" e ressalte que "o Governo está voltado em devolver a normalidade na cidade".
Enfatiza que "a Espanha é perfeitamente capaz de defender suas fronteiras fazendo isso com estrito respeito à lei e aos direitos humanos. Vamos devolver a normalidade a Ceuta cumprindo a legalidade internacional, por mais que Vox ou Feijóo se empenhem no contrário".
Detalha que, para que Ceuta "recupere a normalidade", as pessoas migrantes que acessaram a cidade "têm que retornar, sempre cumprindo a lei". Como passo inicial, explica que é necessário trasladar aqueles que permanecem nas praias para "instalações acondicionadas onde se possa levar a cabo o processo de filiação", um "passo indispensável" para determinar "se têm ou não direito ao asilo".
Óscar López reprova ainda a atitude da oposição nesta crise. "Vejo o PP rasgando as vestes todos os dias com Ceuta, mas não os vejo se levantando pela manhã pensando no que podem aportar", afirma.
Na mesma linha, sustenta que não ouviu o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, pedir a "suas comunidades autônomas" que acolham menores migrantes, nem "apoiar uma única medida do Governo" ou "aportar uma única proposta legal para resolver isso". "Só vejo uma campanha de assédio e derribo com tintes xenófobos que não ajuda a Ceuta", lamenta.
O ministro admite que o Executivo tem "um problema em Ceuta" que não se resolve "da noite para o dia" e frente ao qual não vai "furar a legalidade". "Devolveremos a normalidade e, quando isso acontecer, que cada um preste contas diante de sua consciência sobre quem esteve à altura e quem não", avisa, ao mesmo tempo que critica que algumas acusações do PP "têm contornos de atitudes golpistas".
Críticas a Isabel Díaz Ayuso
Como candidato socialista à presidência da Comunidade de Madrid, López ataca também Isabel Díaz Ayuso, de quem afirma que "representa tudo o que há de pior na má política". "O ódio, o insulto, a ruptura de qualquer relação institucional, algo que é muito contrário à política basca", indica.
Considera que o caso do ático é a "gota que transborda o copo". "Pensou-se que todo o monte é orégano. Mas não é assim. Decidiu gastar mais de seis milhões de euros dos madrilenhos para viver em um ático de 400 metros e 200 de terraço. E até aqui chegamos. Isso não é 'tchau, peixe', isso é que eles pescaram", conclui.