O porta-voz parlamentar de IU e deputado de Sumar, Enrique Santiago, admitiu que "não sai do seu espanto" diante da decisão da Audiência Nacional de ordenar a paralisação do acampamento para migrantes no Porto de Ceuta até decidir se o suspende de forma definitiva. A seu ver, essa decisão judicial reforça a urgência de organizar o traslado de migrantes para a Península, dado que os tribunais estão colocando "problemas" para normalizar a situação na cidade autônoma.
Por outro lado, a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, ressaltou que essa resolução não teria ocorrido se o Executivo tivesse colocado em marcha desde o princípio a realocação dessas pessoas no início desta "crise humanitária".
Ambos os dirigentes se expressaram assim no Congresso depois que a Audiência Nacional ordenou ao Governo que não execute por enquanto a resolução com a qual se pretendia levantar um acampamento no Porto de Ceuta para atender aos migrantes que chegaram à cidade autônoma durante a entrada massiva registrada no final de julho.
Santiago indicou que está "francamente" surpreso pelo critério da Audiência Nacional, ao decretar a paralisação de uma medida como este acampamento sem adotar nenhuma medida cautelar adicional.
O deputado assinalou que, diante de "resoluções tão particulares" e das "dificuldades" que se apresentam desde distintas instâncias do Estado para organizar de forma adequada a acolhida em Ceuta, a decisão da Audiência reforça a conveniência de acelerar os traslados de migrantes para a Península.
"Já que os tribunais não estão ajudando a tirar a pressão dos ceutíes, pois hoje mais do que nunca a posição que faz mais sentido é trasladar para a Península todas as pessoas e assim se evitará que os tribunais coloquem problemas para normalizar a situação".
Enquanto isso, Belarra insistiu que "essa situação nunca teria ocorrido se o Governo tivesse feito o que tinha que fazer, que é resolver essa crise humanitária no dia seguinte, às 48 horas, fazendo os traslados oportunos para a Península".