O Governo impulsiona uma lei para declarar nulo o despedimento de trabalhadores que denunciem casos de corrupção

O Conselho de Ministros aprovará nesta terça-feira o anteprojeto impulsionado pelo Ministério do Trabalho, que estenderá a proteção contra represálias aos denunciantes e ao seu entorno mais próximo.

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O Governo tem previsto aprovar esta terça-feira, a proposta do Ministério do Trabalho de Yolanda Díaz, um anteprojeto de lei destinado a reforçar a proteção dos trabalhadores que denunciem casos de corrupção ou práticas contrárias à legalidade.

Entre as principais medidas figura a declaração de nulidade dos despedimentos que afetem aqueles que comuniquem este tipo de condutas, assim como a determinados familiares ou pessoas do seu entorno.

Segundo fontes do departamento que dirige Yolanda Díaz ao DEMÓCRATA, a futura norma reconhecerá como direito dos trabalhadores a denúncia de atuações irregulares, com o objetivo de evitar qualquer tipo de represália no âmbito laboral.

Proteção frente a despedimentos e outras represálias

O anteprojeto contempla que os empregados fiquem protegidos não só frente ao despedimento, mas também ante outras medidas que possam supor uma represália, como mudanças de posto de trabalho ou modificações das suas condições laborais.

As medidas previstas serão aplicadas com independência da situação contratual do trabalhador, incluindo aqueles que se encontrem em período de experiência. Assim, a proteção alcançará as denúncias formuladas tanto perante as autoridades competentes como através de meios de comunicação.

Desde o Ministério do Trabalho sustentam que o objetivo é oferecer garantias àqueles que coloquem em conhecimento fatos presumivelmente irregulares sem temor a consequências laborais derivadas dessa atuação.

A norma deverá superar sua tramitação parlamentar

Após sua aprovação como anteprojeto no Conselho de Ministros, a iniciativa deverá iniciar sua tramitação legislativa e ser debatida nas Cortes Gerais, onde o Governo precisará reunir os apoios suficientes para sua aprovação definitiva.

Fontes do Ministério consideram que a proposta poderia contar com um amplo respaldo parlamentar e social, ao tratar-se de uma medida orientada a reforçar a proteção de quem colabora na detecção de práticas corruptas.

O caso Ana Garrido, entre os precedentes

O Ministério enquadra a futura lei na necessidade de evitar situações como a vivida por Ana Garrido, ex-vereadora e técnica municipal de Boadilla del Monte, cuja denúncia de irregularidades vinculadas ao caso Gürtel derivou, segundo reconheceram os tribunais, em uma situação de assédio laboral.

Em 2017, o Supremo Tribunal confirmou a sentença do Tribunal Superior de Justiça de Madrid que declarou comprovadas as represálias sofridas por Garrido e condenou o Município de Boadilla del Monte a indenizá-la com 96.314,15 euros.

Com esta iniciativa, o Executivo pretende estabelecer um marco legal específico que reforce a proteção dos denunciantes de corrupção e evite que possam sofrer consequências laborais por comunicar condutas presumivelmente ilícitas.

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