A doutora María Jesús Rodríguez Macías, membro da Sociedade Espanhola de Coluna Vertebral (GEER), advertiu que, diante de uma primeira fratura osteoporótica, os especialistas não devem se limitar a resolver o episódio agudo, já que "é necessário estudar o paciente, tratar a osteoporose e estabelecer um acompanhamento, porque existe risco de que novas fraturas ocorram".
Segundo recordou, "a osteoporose é mais frequente nas mulheres após a menopausa e sua incidência aumenta com a idade", embora "também afete os homens e possa aparecer em pessoas mais jovens com determinados fatores de risco". Nesse contexto, a prevenção secundária se posiciona como um dos pilares do "Consenso Nacional sobre o Manejo da Fratura Vertebral Osteoporótica", publicado em fevereiro na revista especializada 'Archives of Osteoporosis'.
A doença pode evoluir durante anos sem dar sinais, enfraquecendo pouco a pouco o osso e elevando o risco de fraturas sem que o afetado perceba. A coluna vertebral é uma das áreas onde com mais frequência ocorrem essas fraturas por fragilidade, que além disso podem passar despercebidas em um primeiro momento. Por isso, a sociedade científica insiste na complexidade do diagnóstico e ressalta a necessidade de identificar a possível relação entre uma fratura vertebral e a osteoporose e de intervir, uma vez reconhecida, para evitar novos eventos.
O doutor Juan Francisco Blanco Blanco, também integrante da GEER, sublinhou que a patologia é "sistêmica e silenciosa" e "aumenta a fragilidade do tecido ósseo e, com isso, o risco de fratura", de modo que "o paciente pode ir perdendo massa óssea e ter um esqueleto cada vez mais frágil sem notar nenhum sintoma". Além disso, destacou que, "diferentemente das fraturas ocasionadas por acidentes de trânsito, quedas de altura ou outros traumas de alta energia, as fraturas vertebrais osteoporóticas podem ocorrer diante de traumas mínimos ou esforços de baixa intensidade".
Nessa linha, apontou que "essa ausência de um desencadeante evidente pode fazer com que algumas passem inicialmente despercebidas ou que, mesmo sendo detectadas, não se relacionem imediatamente com uma possível fragilidade óssea". Por isso, uma vez confirmada a relação da fratura com a osteoporose, a abordagem deve se orientar tanto para a lesão concreta quanto para a doença de base.
Importância das Unidades de Coordenação de Fraturas
Garantir a continuidade assistencial após o tratamento inicial é fundamental, e um modelo de referência são as Unidades de Coordenação de Fraturas. Essas estruturas multidisciplinares são responsáveis por identificar aqueles que sofreram uma fratura por fragilidade, avaliar sua saúde óssea, facilitar o início do tratamento quando apropriado e manter um controle evolutivo com o objetivo de diminuir a probabilidade de novas fraturas.
Um trabalho baseado no Registro Espanhol de Fraturas Osteoporóticas, publicado na revista 'Archives of Medical Research', analisou 8.962 pacientes com mais de 50 anos atendidos em 25 Unidades espanholas. O estudo comparou dois tipos de dispositivos assistenciais —unidades ortogeriátricas e unidades de metabolismo ósseo— e constatou que ambos os modelos foram eficazes na redução do risco de recorrência. Decorridos 12 meses, as taxas de novas fraturas situaram-se em 7,7 e 5,5 por cada 100 pacientes/ano, respectivamente.
Por último, os especialistas precisaram que o tratamento deve ser adaptado às características da fratura, suas consequências clínicas e a situação individual de cada pessoa. Além disso, ressaltaram que a avaliação por um especialista em coluna é especialmente relevante quando a dor persiste apesar da terapia inicial, aparece ou piora uma deformidade vertebral, observa-se instabilidade ou identificam-se sinais de comprometimento neurológico. Em suas conclusões, destacaram que a recuperação funcional constitui um componente essencial do manejo das fraturas vertebrais osteoporóticas.