Uma análise vincula a vacinação incompleta com um risco quatro vezes maior de gastroenterite por rotavírus.

Um estudo do ISCIII conclui que a vacinação incompleta contra o rotavírus quadruplica o risco de gastroenterite e analisa as variantes que circulam.

2 minutos

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

2 minutos

Mais lido

Investigadores do Centro Nacional de Microbiologia (CNM) desenvolveram um estudo no qual examinam a diversidade genética do rotavírus e os fatores que influenciam a internação hospitalar de menores, constatando que "não ter completa a pauta de vacinação aumenta até quatro vezes o risco de gastroenterite causada por rotavírus".

O trabalho, realizado no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) e divulgado na revista 'Scientific Reports', foi realizado junto com uma equipe do Centro Nacional de Epidemiologia (CNE). Na investigação foram incluídas mais de 600 crianças com quadros de gastroenterite provocados por este patógeno, com o objetivo de conhecer seu padrão de circulação, as variantes genéticas predominantes e o impacto clínico da infecção.

"Combinar informação clínica, epidemiológica e genômica permite interpretar melhor a circulação do rotavírus e avaliar o impacto real das variantes detectadas", destacou a responsável pelo grupo de Gastroenterites Virais do CNM, integrante da Área de Epidemiologia e Saúde Pública do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERESP) e autora principal do trabalho, María Dolores Fernández-García.

Para alcançar essas conclusões, o estudo contou também com a participação de grupos da Área de Doenças Infecciosas do CIBER (CIBERINFEC) e dos hospitais universitários madrilenhos de Móstoles, Puerta de Hierro de Majadahonda e Severo Ochoa de Leganés, combinando a vigilância clínica com a análise genômica em menores residentes na Comunidade de Madrid.

Os resultados indicam que os fatores que mais se relacionam com a necessidade de hospitalização pediátrica são "não estar completamente vacinado e apresentar patologias prévias", segundo detalham os autores, que sublinham ainda que "foi confirmado que o genótipo viral - o tipo de variante genética do vírus - não se associa com uma maior gravidade clínica".

Predomínio do genótipo G3P[8] nos casos analisados

O rotavírus é um dos principais agentes responsáveis pela gastroenterite aguda em lactentes e crianças pequenas e, embora em muitos pacientes a infecção remita sem complicações, pode desencadear episódios severos de diarreia, vômitos e desidratação, sobretudo em menores de curta idade e com doenças prévias. Nesse contexto, o estudo identificou um claro predomínio do genótipo "G3P[8]", especialmente de variantes "equine-like", que representaram 62,4 por cento das cepas caracterizadas em circulação.

As análises genômicas realizadas evidenciam, além disso, uma ampla diversidade entre as cepas que estão circulando. Embora tenham sido detectadas diferenças entre algumas delas e as que fazem parte das vacinas disponíveis, os pesquisadores apontam que os dados não indicam a aparição de variantes com mudanças significativas em sua repercussão clínica nem indícios de escape vacinal, ou seja, a capacidade do vírus de modificar sua estrutura até o ponto de esquivar os anticorpos gerados após a infecção natural ou a imunização.

Finalmente, e à vista dos dados obtidos, os especialistas apontam que "foram observadas diferenças conforme o tipo de vacina recebida". Em concreto, "as cepas 'G2P[4]' e 'G3P[8] equine-like' são mais frequentes entre os casos vacinados com 'Rotarix', enquanto as cepas 'G3P[8]' clássicas aparecem mais entre os menores vacinados com 'RotaTeq'", precisaram.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?