Quem é José Luis Calama, o juiz que reativa o caso Plus Ultra

José Luis Calama voltou a se situar no centro do caso Plus Ultra após citar em setembro o presidente e o diretor executivo da companhia aérea. Os dois executivos, que inicialmente mantiveram silêncio, mudaram sua estratégia e enviaram escritos que apontam uma possível intervenção de José Luis Rodríguez Zapatero nas gestões do resgate de 53 milhões de euros.

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Informe de tasación de las joyas inacutadas en la caja fuerte del despacho del expresidente del Gobierno José Luis Zapatero encargado por el juez de la Audiencia Nacional José Luis Calama, que investiga el 'caso Plus Ultra' AUDIENCIA NACIONAL

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José Luis Calama é o magistrado da Audiência Nacional encarregado de investigar o caso Plus Ultra.

O juiz convocou como investigados o presidente da companhia aérea, Julio Martínez Sola, e o conselheiro delegado, Roberto Roselli, depois que ambos modificaram sua versão e enviaram escritos nos quais implicam o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero nas gestões que precederam ao resgate público de 53 milhões de euros.

As declarações serão realizadas nos dias 7 e 8 de setembro.

Quando declararão os diretores da Plus Ultra

Julio Martínez Sola deverá comparecer às 09.00 horas do dia 7 de setembro.

Roberto Roselli está convocado para a mesma hora do dia seguinte. Roselli era diretor financeiro da Plus Ultra quando foram tramitadas as ajudas concedidas durante a pandemia.

Os dois diretores já figuravam como investigados. Quando foram detidos pela Polícia Nacional em dezembro de 2025, se acolheram ao seu direito de não declarar.

A Procuradoria Anticorrupção considerou necessário interrogá-los novamente após conhecer seus novos escritos.

A mudança de versão da cúpula da Plus Ultra

O presidente da Plus Ultra havia negado publicamente qualquer trato de favor ou ingerência política.

Esta semana, no entanto, Martínez Sola e Roselli apresentaram escritos perante a Audiência Nacional nos quais reconhecem que a empresa contratou o consultor Julio Martínez Martínez por sua relação com Zapatero e com a expectativa de que pudesse ajudar na obtenção do resgate.

Ambos admitem que não tiveram conhecimento direto das gestões concretas que o ex-presidente teria realizado perante a Sociedade Estatal de Participações Industriais.

Seu novo relato se apoia na ideia de que a Plus Ultra assumiu que deveria contratar Martínez Martínez porque tinha acesso a Zapatero.

A comissão de 1% por conseguir o resgate

A investigação analisa um contrato que estabelecia uma comissão equivalente a 1% do financiamento obtido.

Como o resgate ascendeu a 53 milhões de euros, a quantia prevista girava em torno de 530.000 euros. O documento definia esse pagamento como contraprestação pelos serviços prestados e pelo sucesso da operação perante a SEPI.

A Polícia apreendeu uma cópia do contrato durante a busca na residência de Julio Martínez Martínez.

A esse acordo se somou outro contrato de 5.000 euros mensais por serviços de assessoria que, segundo a versão do consultor, já eram prestados desde maio de 2020.

A chamada que compromete as versões

Julio Martínez Sola sustenta que falou por telefone com Zapatero no dia 30 de abril de 2020.

Segundo seu relato, explicou ao ex-presidente a difícil situação financeira da Plus Ultra e a necessidade de acessar fundos públicos. Martínez Sola afirma que Zapatero respondeu que sua intervenção poderia ser útil e que as comunicações posteriores seriam canalizadas através de Julio Martínez Martínez.

Zapatero nega ter realizado gestões diante da SEPI ou do Conselho de Ministros para favorecer a companhia.

A declaração de setembro permitirá a Calama interrogar diretamente os diretores sobre essa suposta conversa, os contratos assinados e os pagamentos realizados.

O que investiga o caso Plus Ultra

A causa trata de determinar se o resgate público foi obtido por meio de uma estrutura de influências e se parte do dinheiro acabou sendo canalizado através de contratos e comissões.

Plus Ultra recebeu 53 milhões de euros do Fundo de Apoio à Solvência de Empresas Estratégicas durante a pandemia.

A investigação não se limita a verificar se a companhia aérea cumpria os requisitos econômicos. Também examina quem interveio na operação, que serviços foram realmente prestados e qual foi o destino das quantias pagas a consultores e empresas relacionadas.

Que papel atribui a investigação a Zapatero

Os investigadores analisam se o ex-presidente atuou como figura de referência dentro das gestões para conseguir o resgate.

Julio Martínez Martínez declarou perante o juiz que Zapatero “marcava os passos a seguir”. Os diretores da Plus Ultra não afirmam ter presenciado pessoalmente essas atuações, mas reconhecem que contrataram o consultor pela relação que mantinha com o antigo presidente do Governo.

Zapatero rejeita essa interpretação e sustenta que não falou com responsáveis da SEPI nem do Governo sobre a ajuda.

A causa se encontra em fase de instrução. As afirmações dos investigados não constituem por si só fatos provados.

Calama rejeita a nulidade pedida por Zapatero

O juiz inadmitiu o pedido de nulidade geral apresentado pela defesa de Zapatero.

Calama considera que o pedido chegou fora do prazo legal de 20 dias desde que a defesa teve acesso material ao sumário. Segundo sua resolução, o prazo terminou no dia 23 de junho às 15.00 horas e o escrito foi apresentado no dia 25.

O magistrado não entrou a valorar o fundo das violações denunciadas. Rejeitou o pedido por extemporâneo.

A defesa tenta corrigir essa decisão alegando um erro no cálculo das datas de acesso ao procedimento.

As joias apreendidas a Zapatero

A Procuradoria solicitou um relatório ampliatório sobre as joias apreendidas em nome do ex-presidente.

O objetivo é obter mais informações sobre quando as peças foram engastadas e aprofundar seu valor atual de mercado. Calama ainda não havia resolvido essa solicitação ao ser publicada a citação dos diretores.

A avaliação preliminar divulgada no procedimento situou o conjunto em 1,3 milhões de euros, embora a origem e a avaliação definitiva ainda estejam sob investigação.

Quem é José Luis Calama

Calama é magistrado da Audiência Nacional e dirige o Juízo Central de Instrução que tramita a causa.

Seu nome apareceu em procedimentos de grande relevância política, econômica e de segurança. No caso Plus Ultra, autorizou buscas, tomou declarações, analisou documentação financeira e resolveu os recursos apresentados pelas defesas.

Sua função não consiste em ditar agora uma condenação, mas em determinar se existem indícios suficientes para continuar o procedimento e, chegado o momento, propor a abertura de julgamento ou o arquivamento.

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