O conselheiro de Fomento e Mobilidade, Mario Muñoz Atanet, reclamou ao Governo da Espanha "celeridade e concretude" para corrigir o déficit histórico que sofre a Andaluzia em infraestruturas viárias e ferroviárias. Assim o manifestou esta quinta-feira no Plenário do Parlamento andaluz, em uma comparecência centrada na Conferência Estatal de Transportes realizada no mês passado de julho.
Muñoz-Atanet explicou que a Consejería de Fomento enviou esta mesma semana uma carta ao Ministério de Transporte na qual se detalham as principais reivindicações em matéria de infraestruturas. Nesse contexto, aludiu ao déficit de equipamentos que "são determinantes para favorecer a competitividade e coesionar a Andaluzia", antes de desgranhar o conteúdo da missiva enviada ao Ministério de Transporte, onde se reclamou "o mesmo que em outubro de 2024", segundo indicou a Junta em uma nota.
Entre as prioridades, o titular de Fomento citou "a melhoria da rede de Cercanías; um impulso real a projetos como a conexão ferroviária de Santa-Justa San Pablo ou o trem litoral da Costa do Sol, assim como o impulso à alta velocidade Sevilla-Huelva-Faro; garantir a chegada do AVE a Almería; culminar o corredor mediterrâneo e finalizar a renovação da linha ferroviária Algeciras-Bobadilla".
O conselheiro também reclamou "soluções" diante do "apagão ferroviário" que sofre a Andaluzia, especialmente nas províncias de Jaén e Almería em seus enlaces com Madrid, a partir do início das obras do Ministério de Transporte para adaptar a autoestrada ferroviária Zaragoza-Algeciras desde o passado 6 de setembro, e "que se prolongarão como mínimo até outono de 2027".
No que diz respeito à rede estatal de estradas, Muñoz-Atanet insistiu que "o deterioro é chamativo", pelo que "o Governo da Espanha deve reforçar os planos de conservação e reabilitação de pavimentos e dar solução urgente às retenções que ocorrem nos grandes eixos, como a autoestrada A-7 ao passar por Málaga, a AP-4 entre Sevilla e Cádiz, a terceira faixa da A-49, a A-44 entre Granada e Motril ou as obras que estão pendentes de terminar: a ponte do Centenário e o fechamento da SE-40, imprescindíveis para a província de Sevilla".
Muñoz-Atanet lamentou que, "dois anos depois, estejamos reclamando ao Estado exatamente a mesma coisa. Não é possível". Ele sublinhou que as infraestruturas não são um assunto acessório, mas sim "um pilar estratégico para garantir o desenvolvimento e o futuro de uma comunidade".
Por isso, defendeu que "desde o Governo andaluz lhes prestamos toda a atenção que merecem com investimento e responsabilidade". A seguir, lembrou que a Conferência Setorial de Transportes deveria ter sido presidida pelo ministro de Transportes, Óscar Puente, mas "não compareceu". Nesse sentido, destacou que "a conferência estava há quatro anos sem ser convocada, quando deveria ser realizada duas vezes ao ano, ou seja, oito conferências não realizadas".
Segundo prosseguiu o conselheiro de Fomento, apesar dessa longa inatividade, a proposta de ordem do dia chegou sem conteúdo relevante: "Apesar dos graves problemas que diariamente padecemos os espanhóis no uso dos ferrovários e das estradas, não contemplavam tratar a situação dessas infraestruturas estatais. Esse parece ser o compromisso que o Governo da Espanha tem com as infraestruturas deste país", criticou.
Para finalizar, o titular de Fomento e Mobilidade reclamou "soluções provisórias" enquanto se executam as atuações definitivas, que requerem mais tempo, e reiterou a necessidade de aumentar o investimento, acelerar os prazos e reforçar a escuta e a participação das comunidades autônomas. "O futuro da Andaluzia e a qualidade de vida dos cidadãos merecem previsão e a máxima implicação por parte do Estado, questão que, infelizmente, não estamos vendo com a Conferência Setorial de Transporte", concluiu.