Interior restabelece controles fronteiriços em voos e barcos com a Itália até 7 de setembro

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, comunicou às autoridades europeias a decisão do Governo de reintroduzir temporariamente controles fronteiriços em aeroportos e portos com conexões diretas entre Espanha e Itália. A medida estará em vigor desde as 00.00 horas do dia 8 de agosto até as 00.00 horas do dia 7 de setembro e é adotada pela evolução da pressão migratória na rota do Mediterrâneo central.

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O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, comunicou este sábado a diferentes autoridades da União Europeia a decisão do Governo de restabelecer temporariamente os controles fronteiriços em aeroportos e portos que mantêm conexões diretas entre o Reino da Espanha e a República Italiana.

A medida afeta as conexões aéreas e marítimas entre ambos os países e se enquadra na vigilância da situação migratória dentro do espaço Schengen, especialmente pela pressão registrada na rota do Mediterâneo central, que afeta a Itália e pode ter efeitos sobre outros Estados membros.

Comunicação à Comissão, ao Parlamento e ao Conselho

Segundo informou o Ministério do Interior, Marlaska enviou a comunicação à vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen; ao comissário europeu de Assuntos de Interior e Migração, Magnus Brunner; à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola; e à secretária-geral do Conselho de Ministros do Interior dos Estados membros da UE e dos países associados ao Schengen, Thérèse Blanchet.

Com esta notificação, a Espanha transmite formalmente às instituições europeias a reintrodução temporária de controles em determinadas fronteiras interiores, uma possibilidade prevista pela normativa Schengen quando existem razões de ordem pública ou segurança interior.

Pressão migratória no Mediterâneo central

Marlaska explica em seu escrito que as autoridades espanholas seguem com atenção a evolução da situação migratória no espaço Schengen e, em particular, a pressão sobre a rota do Mediterâneo central.

O Interior vincula essa pressão com suas possíveis repercussões para diferentes Estados membros, especialmente pela atividade de redes de criminalidade transfronteiriça associadas à migração irregular. O Governo sustenta que essas circunstâncias podem ter impacto na ordem pública e na segurança interior, o que justifica a adoção de medidas temporárias de controle.

Controles desde 8 de agosto até 7 de setembro

A reintrodução de controles será aplicada desde as 00.00 horas do 8 de agosto até as 00.00 horas do 7 de setembro. O período poderá ser modificado em função da evolução das circunstâncias que motivaram a decisão.

O Interior precisou que, quando vencer o prazo inicial, as autoridades espanholas realizarão uma nova avaliação para decidir se procede manter a medida, modificá-la ou levantá-la. O Governo propõe assim um controle temporal, revisável e ligado à evolução da pressão migratória e dos riscos associados.

A base legal: o Código de Fronteiras Schengen

A Espanha fundamenta a decisão nos artigos 25 e seguintes do Regulamento 2016/399 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2016, que estabelece o denominado Código de Fronteiras Schengen.

Esse marco permite aos Estados membros reintroduzir controles temporais em fronteiras interiores quando existir uma ameaça grave para a ordem pública ou a segurança interna. Neste caso, o Governo espanhol aplica essa previsão às conexões diretas com a Itália por via aérea e marítima.

Uma medida com impacto em aeroportos e portos

A decisão pode se traduzir em controles adicionais de documentação para passageiros provenientes da Itália ou com destino a esse país, tanto em aeroportos quanto em portos espanhóis. Embora não implique o fechamento de conexões, pode gerar revisões, tempos de espera e verificações mais intensas em determinados trajetos.

O objetivo do Governo é reforçar a segurança sem interromper a mobilidade ordinária entre ambos os países. O Interior sustenta que a medida responde a um contexto concreto e que será revisada em função da evolução da situação migratória e da atividade das redes vinculadas à migração irregular.

Schengen sob pressão migratória

A decisão espanhola volta a situar o debate sobre Schengen no centro da agenda europeia. A livre circulação entre Estados membros é um dos pilares da União Europeia, mas os países podem ativar controles temporais quando consideram que existem riscos para a segurança ou a ordem pública.

Neste caso, a Espanha atua sobre as conexões com a Itália pela pressão da rota do Mediterrâneo central e pelo temor a movimentos secundários dentro do espaço europeu. A medida estará em vigor durante um mês, salvo se o Governo decidir modificá-la antes ou prorrogá-la após uma nova avaliação.

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