Vivas se planta contra o uso de polidesportivos para imigrantes em Ceuta e diz que "a mim vão ter que me tirar" para fazê-lo

Juan Vivas se planta contra a possibilidade de utilizar polidesportivos para alojar os migrantes que permanecem em Ceuta. O presidente da Cidade assegurou que impedirá que as instalações desportivas municipais se tornem em espaços de acolhimento e lançou um aviso ao Governo.

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"Os polidesportivos não vão ser utilizados para isso. E eu vou ter que ser retirado dos polidesportivos, se eles forem tentar", afirmou. Vivas acrescentou que estará acompanhado por "todos os que quiserem vir" com ele.

O presidente ceutiano também exigirá que o Estado assuma a responsabilidade pelos menores migrantes não acompanhados que continuam na cidade após a entrada maciça do passado 30 de julho. Ele levará este pedido durante a primeira reunião do Comitê de Situação, presidida pelo coordenador do Comando Único, Ángel Víctor Torres, e à qual comparecerá a ministra de Migrações, Elma Saiz.

Vivas pede que o Estado assuma os menores migrantes

"Nós não temos capacidade para acolher 3.500 nem 4.000 menores. E vamos pedir que seja o Estado quem assuma isso", declarou Vivas.

O presidente de Ceuta vincula esta reivindicação com as competências estatais sobre o controle da fronteira. Na sua opinião, uma Administração das dimensões da cidade autônoma não pode enfrentar sozinha a atenção de milhares de menores que chegaram como consequência de uma entrada maciça.

"Quem é competente e quem é, em todo caso, responsável por ter ocorrido uma entrada maciça em Ceuta que supôs uma violação da integridade das fronteiras e da integridade territorial?", questionou.

Vivas levará esta posição ao comitê de acompanhamento do Comando Único e reivindicará novas medidas para recuperar a normalidade. Também anunciou que comparecerá às Cortes Gerais, ao Poder Judiciário e às instituições europeias para expor a situação de Ceuta.

Mais policiais, funcionários, juízes e promotores

O presidente ceutiano exige uma mobilização extraordinária de recursos estatais. Entre as necessidades que lhe foram transmitidas por pessoas conhecedoras da gestão migratória, mencionou mais funcionários de Estrangeiros, agentes da Polícia Nacional, intérpretes, juízes e promotores.

Também propõe transferir para Ceuta a Unidade de Asilo e Refúgio e criar um órgão judicial específico para tramitar os procedimentos derivados da crise.

"O que tem que acontecer na Espanha para que haja uma mobilização dos recursos suficientes para atender a uma violação de sua integridade territorial?", perguntou.

Vivas assegurou que seu Governo utilizará "todas as capacidades, todos os meios, até o último suspiro" para que a cidade recupere a normalidade o mais rápido possível.

Vivas acusa o Governo de deslealdade institucional

O enfrentamento pelos polidesportivos parte da inclusão dessas instalações em um rascunho de decreto do Governo sem uma consulta prévia à Cidade. Vivas considera que essa decisão representa uma falta de "lealdade institucional".

A possibilidade de converter instalações esportivas em espaços de acolhimento provocou uma forte reação social. Centenas de ceutianos se manifestaram nesta terça-feira contra a medida.

Ángel Víctor Torres esclareceu depois que os polidesportivos só seriam utilizados em uma situação extrema e prévio acordo com a Administração ceutiana. O ministro e Vivas já haviam pactuado que os novos locais seriam escolhidos mediante consenso.

O presidente da Cidade considera, no entanto, que Ceuta já sacrificou espaços públicos demais como consequência da crise.

"Ceuta ficou sem feira, sem parques urbanos, sem parques infantis. Agora, o que acontece, que também tem que ficar sem polidesportivos?", perguntou.

O Tarajal, a alternativa proposta por Ceuta

Frente ao uso de instalações esportivas, o Governo ceutiano propôs diferentes locais para abrigar temporariamente os migrantes. A prioridade é situá-los fora dos núcleos residenciais e reduzir o impacto sobre a vida cotidiana dos vizinhos.

Vivas destacou especialmente a área do Tarajal, próxima à fronteira, que considera "idônea" para instalar esses dispositivos.

O presidente também reivindica um plano para retornar os migrantes que chegaram irregularmente e não têm direito a permanecer na Espanha. "Quando a solução está no retorno, que retornem, que coloquem meios, que façam um plano, que o conheçamos", afirmou.

A Cidade, segundo Vivas, colaborará na busca de locais, mas exige que qualquer decisão seja adotada mediante diálogo e respeitando suas competências. "Não estou me defendendo, estou defendendo Ceuta", concluiu.

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