O deputado do Compromís integrado no grupo parlamentar de Sumar no Congresso, Alberto Ibáñez, registrou na Câmara Baixa uma série de perguntas dirigidas ao Ministério do Interior sobre as ações realizadas frente à "impunidade" com a qual operam esquadrões "fascistas" em diferentes pontos de Valência, entre eles os autodenominados 'Anjos da Noite', que "tentam se passar por grupos de vizinhos e vizinhas que vigiam possíveis situações de insegurança em seus bairros".
Nessas iniciativas e em uma mensagem publicada em seu perfil da rede social X, Ibáñez denuncia que a "externalização da segurança pública em entidades privadas ultras é um desprezo à Polícia" e lamenta que a "connivência de grande parte da Polícia deixando fazer a esquadrões fascistas é um ataque à democracia".
O parlamentar se refere ao percurso realizado na madrugada de sábado para domingo por várias "patrulhas" dos chamados 'Anjos da Noite' pela praia da Malva-rosa de Valência, uma ação divulgada pelo Espanha 2000 em suas redes sociais.
Nessa publicação, o coletivo justifica sua presença "diante da crescente preocupação com a insegurança na área, especialmente pela presença de grupos de jovens de origem magrebina que se concentravam em diferentes áreas do calçadão. Nossa presença contribuiu para dissuadir possíveis situações conflitivas e para reforçar a sensação de segurança entre vizinhos e visitantes". Além disso, distribuíram panfletos e avançaram novas saídas em "outros bairros" de Valência.
Diante desses fatos, Ibáñez critica a "permissividade tanto da Polícia de María Jose Catalá --prefeita de Valência-- quanto a de Pilar Bernabé --delegada do Governo-- é "intolerável", "um ataque à democracia" e uma "falta de respeito às Forças e Corpos de Segurança do Estado". Desde a Subdelegação do Governo apontam que foram identificados três dos integrantes do grupo.
Esquadrões "perfeitamente orquestrados" e uso de uniformes
Na bateria de perguntas remetida ao Executivo, o deputado se refere ao desdobramento desses "esquadrões fascistas" cujos integrantes "vão trajados com roupas escuras e coletes pretos com fitas refletivas, simulando uniformes oficiais".
"Embora tentem se passar por grupos de vizinhos que vigiam possíveis situações de insegurança em seus bairros, na realidade se trata de grupos fascistas perfeitamente orquestrados que se dedicam a intimidar pessoas imigrantes, principalmente árabes, com o objetivo de agitar o boato da crescente insegurança diante do olhar de residentes e transeuntes", expõe.
Nesse sentido, alerta que a presença desses "grupúsculos cumpre uma função de calado consistente em questionar o modelo de justiça e uso da força de um Estado democrático". "Com essas iniciativas pretende-se gerar um modelo de aplicação de uma suposta justiça paralelo ao democrático e sem o controle democrático que pode ser exercido diante das instituições, assim como questionar a atuação das instituições na manutenção da paz social", reprocha.
Para Ibáñez, "surpreende a impunidade com que se desdobram sem encontrar a perspicácia e contundência com que vemos agir as FCSE diante de manifestantes por educação ou sindicalistas, pois sua própria existência questiona o bom fazer policial", o que "interpela diretamente o Ministério do Interior e as diversas delegações e subdelegações do Governo, pois deles depende que o cumprimento da legalidade seja por igual, assim como a necessária democratização das instituições em suas atuações".
Além disso, lembra que o uso de indumentária que "pode levar a engano com os da FCSE está tipificado já como infração grave no artigo 36.14 da Lei Orgânica de Proteção da Segurança Cidadã".
Por isso, o deputado pergunta que medidas está adotando o Ministério do Interior "para evitar esses grupúsculos violentos"; se foi aberto algum expediente sancionador pela infração grave mencionada e "como se explica a tolerância ou conivência das FCSE com esses grupúsculos quando esses mesmos grupos supõem o questionamento das próprias FCSE", entre outros extremos.
Críticas de Compromís na Câmara Municipal de València
Paralelamente, o vereador de Compromís na Câmara Municipal de València, Ferran Puchades, denunciou que a "irrupção dessas patrulhas de tiktokers de extrema direita fazendo como que vigiam as ruas de València, além de serem muito preocupantes, evidencia uma situação real: a percepção generalizada de como se degradou a segurança na cidade nos últimos três anos".
"É tal o consenso sobre este deterioro desde que governa Catalá junto com Vox, depois da melhoria experimentada durante os oito anos de governo de Joan Ribó e Compromís, que até grupúsculos marginais de extrema direita saem à rua para denunciar e, presumivelmente, suprir a ineficiência de seu governo municipal de extrema direita também em segurança cidadã", criticou em um comunicado.
Na sua opinião, "Valência não merece uma gestão tão deficiente nem que essa gentuza faça o que quiser. Valência quer e merece recuperar a tranquilidade, algo que será conseguido quando a esquerda voltar a governar a cidade e Valência recuperar o tempo perdido pelo PP e Vox durante este mandato".