As organizações empresariais do setor cárnico ANICE, FECIC e AGEMCEX comunicaram esta quinta-feira que interporão ações legais contra os sindicatos por um possível descumprimento do dever de negociar, diante da situação de bloqueio na mesa do Acordo Coletivo Estadual de Indústrias Cárnicas.
As patronais criticaram a "atitude intransigente" das organizações sindicais após o início do conflito e a ameaça de greve, um cenário que repercute em 125.000 empregados e mais de 3.000 companhias em todo o território espanhol.
Segundo explicaram, sua última oferta salarial inclui aumentos de 3,5% em 2026, o que representa 40% a mais em relação aos 2,5% propostos inicialmente, além de um incremento de 2,5% em 2027 e de 2% em 2028, acompanhado de uma cláusula de revisão retributiva com um limite adicional de 1%.
Em contraste com esta proposta, as centrais sindicais teriam mantido como "condições inamovíveis" um aumento de 4,5% para 2026 e de 4% para 2027 e 2028, com atualização retroativa e sem limites, além de reduções de jornada, novos adicionais e um aumento de horas de licenças.
ANICE, FECIC e AGEMCEX sublinharam que a negociação coletiva requer "necessariamente flexibilidade e movimentos de ambas as partes". Além disso, criticaram que os sindicatos tenham trasladado ao setor a mesma estratégia de confronto empregada no Acordo Coletivo de Matadouros de Aves e Coelhos, onde participam os mesmos porta-vozes.
Neste contexto, as associações empresariais reiteraram que continuam abertas a alcançar um acordo que permita assegurar as condições laborais das equipes e a sustentabilidade do setor, embora tenham confirmado que recorrerão aos tribunais diante da falta de avanços na negociação do acordo.