O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apontou que o programa de recompra de bônus do país poderia finalmente superar os 4.000 milhões de dólares (3.456 milhões de euros) por cada emissão, uma cifra que já duplica o teto atual e que chega em um contexto de fortes aumentos nas taxas exigidas pela dívida com vencimentos de entre 10 e 30 anos, que nos últimos dias marcaram níveis máximos.
"Realizamos recompras de forma habitual e vamos aumentar o volume de recompras. (...) Cabe destacar que poderia superar os 4.000 milhões de dólares por emissão", sustentou Bessent em uma entrevista concedida à rede de televisão CNBC.
Após o anúncio, na quarta-feira ocorreu uma notável relaxação nos rendimentos da dívida americana a longo prazo. Os bônus a 30 anos chegaram a 5,187%, frente ao 5,337% registrado no dia anterior, enquanto o rendimento do bônus a 10 anos caiu para 4,637%, desde o 4,748% anterior.
No entanto, esse alívio foi efêmero, já que na quinta-feira foi registrado um novo aumento generalizado das rentabilidades, apagando praticamente as quedas do dia anterior. Assim, o bônus a 30 anos situava-se em 5,241% e o de 10 anos voltava a escalar até 4,7%.
Bessent explicou que dispõe de "um amplo leque de ferramentas" para conter o aumento dos custos de financiamento do Governo dos Estados Unidos. Entre essas medidas, considerou essencial "dar sinais e demonstrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes", ao mesmo tempo que avançava a possibilidade de aumentar o volume de recompras.
"Queremos indicar que acreditamos que este é um segmento do mercado com pouca liquidez, que estamos em agosto e que houve muitas emissões corporativas que foram influenciadas. Acreditamos que há muitos fatores subjacentes que o mercado não está levando em conta. E vamos dinamizar este mercado", destacou o responsável do Tesouro.
O secretário acrescentou que seu objetivo é "que as pessoas se concentrem nos fundamentos e não se deixem levar pelos títulos" e apontou que "os mercados provavelmente se adiantaram um pouco", em parte porque "muita gente não tinha muito o que fazer em agosto", sublinhando assim a pressão adicional sobre o mercado de bônus em um período de baixa atividade.
A dívida dos EUA ultrapassa os 40 trilhões, mas Bessent minimiza a importância
Esta quinta-feira, a dívida pública dos Estados Unidos superou pela primeira vez o limiar de 40 trilhões de dólares (34,4 trilhões de euros), de acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Tesouro. Apesar disso, Scott Bessent minimizou o dramatismo da situação e insistiu que existe uma elevada dose de desinformação em torno desses números.
"Não há nada mágico nesses 40 trilhões de dólares. E podemos sair dessa situação por meio do crescimento econômico", afirmou, antes de ressaltar que a cidadania deveria interpretar isso como "investimento para o futuro" e não como "gasto governamental".
Ainda assim, o responsável pelo Tesouro avançou que nos próximos dias apresentarão um novo plano fiscal voltado para a consolidação das contas públicas e para o reforço do orçamento federal.