Brasil avança nos preparativos para lançar pela primeira vez dívida denominada em yuans, com o objetivo de captar até 10.000 milhões de yuans (1.333 milhões de euros) repartidos em duas séries de 5.000 milhões de yuans cada uma (666,5 milhões de euros). O primeiro lote poderia ver a luz já na próxima semana, segundo o calendário que é manejado nos mercados.
Se concretizada esta operação, Brasil se tornaria o primeiro país da América Latina a acessar o mercado chinês dos chamados "títulos panda". De acordo com fontes consultadas pela "Bloomberg", a colocação seguiria em frente mesmo se o direitista Flávio Bolsonaro resultar eleito no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo.
O Ministério da Fazenda brasileiro indicou em um comunicado que foram realizadas reuniões "in situ" na China, além de uma turnê de apresentação a potenciais investidores. No entanto, o departamento sublinha que ainda não foi fixada uma data definitiva para a emissão e que esta só será realizada quando as condições do mercado forem consideradas favoráveis.
No plano político, uma eventual vitória de Bolsonaro, alinhado ideologicamente com o presidente americano Donald Trump, poderia colocar em questão futuras emissões de dívida brasileira no gigante asiático. Em contrapartida, a continuidade no poder do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, favoreceria uma maior profundidade dos laços financeiros com Pequim.
Um "título panda" é um instrumento de dívida emitido diretamente em yuans dentro do mercado financeiro chinês por um emissor estrangeiro, seja um Estado ou uma empresa, e está sujeito à regulamentação vigente na China.
Diversificação financeira e menor dependência do dólar
No que vai do ano, Brasil levantou cerca de 10.000 milhões de dólares (8.901 milhões de euros) nos mercados internacionais, no âmbito de uma estratégia destinada a diminuir sua exposição ao dólar e aumentar gradualmente o peso da dívida externa no conjunto de seu financiamento.
Paralelamente, o Governo federal solicitou ao Congresso Nacional autorização para colocar até 35.000 milhões de dólares (31.154 milhões de euros) anuais em emissões fora do país, com o fim de ampliar suas fontes de financiamento e consolidar sua presença nos mercados globais de capital.