A Comissão Europeia instou esta quinta-feira a China a que o diálogo iniciado em junho para tentar reequilibrar as relações comerciais entre ambas as partes se materialize em "resultados concretos" e "críveis" em outubro, coincidindo com a segunda reunião bilateral de alto nível em Pequim, na qual serão revisados os progressos alcançados até essa data.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, transmitiu esta mensagem ao ministro de Comércio chinês, Wang Wentao, durante uma videoconferência de pouco mais de uma hora na qual ambos revisaram o estado dos trabalhos dos últimos meses, de cara ao encontro previsto na capital chinesa nos dias 8 e 9 de outubro.
"Embora manter um diálogo substantivo continue sendo uma prioridade, é igualmente importante que se alcancem os primeiros resultados concretos na segunda sessão do Conselho de Comércio e Investimento, que se realizará em Pequim em outubro e que o comissário copresidirá, como sinal de que estamos passando da retórica aos resultados. Esses resultados devem ser críveis", destacou o porta-voz de Comércio comunitário, Olof Gill.
Na conversa, foram abordadas várias das principais fontes de tensão comercial entre a União Europeia e a China, como a gestão das exportações chinesas para o mercado comunitário, as condições de acesso das empresas europeias ao mercado chinês e os controles que Pequim aplica à saída de terras raras.
Bruxelas ressaltou que os contatos com as autoridades chinesas serão mantidos nas próximas semanas para tentar aproximar posturas antes da citação política de outubro. Uma equipe do Executivo comunitário se deslocará no final de setembro à capital chinesa com o objetivo de continuar avançando nos trabalhos a nível técnico.
A reunião de outubro dará continuidade ao canal de diálogo aberto em junho em Bruxelas, quando Sefcovic e Wang concordaram em intensificar o ritmo das negociações e fixaram como horizonte o outono para alcançar "resultados tangíveis" que contribuam para reduzir as tensões e encaminhar-se para uma relação comercial mais equilibrada.
Naquele encontro, ambas as partes apontaram como áreas prioritárias o equilíbrio em comércio e investimentos, os controles à exportação, a proteção da propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de pactuar um mecanismo conjunto de acompanhamento dos fluxos comerciais.