O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, instou nesta quinta-feira para que não se utilizem politicamente os lugares sagrados do Islã, depois de sublinhar que as acusações contra os rebeldes houthis do Iémen por um suposto ataque a Meca se baseiam unicamente na interceptação de um drone que se dirigia para essa área. Nesse contexto, lembrou que a região carrega um histórico de ataques de falsa bandeira.
"Qualquer agressão contra os lugares sagrados islâmicos, em particular Meca, Medina e a mesquita de Al Aqsa, assim como a ameaça aos peregrinos e vizinhos desses locais, é um ato condenável", reiterou o porta-voz iraniano, que ao mesmo tempo destacou que "o mero alegato de ter interceptado um drone a caminho de Meca não pode constituir uma base para acusar uma parte específica".
Dessa forma, ressaltou que a postura oficial de Teerã passa por "impedir a politização da questão dos santuários islâmicos e sua segurança" e pediu que não se recorra a esses enclaves religiosos "como instrumento para incitar discórdias e escalar as tensões regionais".
O porta-voz também sublinhou que a área presenciou "numerosos casos de 'operações de bandeira falsa'", também "nos últimos meses", segundo suas palavras.
Em sua mensagem, Baqaei afirmou que o propósito dessas ações é "desviar a atenção da opinião pública dos crimes perpetrados pelo regime sionista e pelos Estados Unidos na região", aludindo à campanha militar desenvolvida por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica.
"É necessário proceder com cautela e vigilância", acrescentou o representante do Ministério das Relações Exteriores. Suas declarações chegam depois que a coalizão para o Iémen liderada pela Arábia Saudita informou na madrugada de quarta-feira sobre o lançamento de um drone contra Meca, assegurando que seus sistemas defensivos o interceptaram e destruíram, e responsabilizando os houthis por esse projétil em um contexto de crescente escalada bélica.
Este incidente ocorre após a ofensiva iniciada no início de setembro pelos houthis nas províncias de Taiz e Hodeida, no oeste do Iémen, com a qual conseguiram avanços significativos no terreno, entre eles o controle da cidade portuária de Mocha e de outros enclaves estratégicos na costa do mar Vermelho.