Elétricas alertam que plano do Governo para 'data centers' freia a demanda e coloca em risco o investimento
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A Associação de Empresas de Energia Elétrica (aelec) mostrou sua discordância com a proposta de real decreto do Governo para regular o desenvolvimento dos centros de dados, advertindo que a normativa, mais do que facilitar a incorporação de novos consumos, vai na linha para dificultá-la, e sublinhando que, além disso, coloca em perigo as oportunidades de investimento para a Espanha deste negócio. Em um comunicado, a presidenta da grande patronal elétrica - da qual fazem parte Endesa, EDP Espanha ou Iberdrola - , Marina Serrano, assegura que se forem impostos requisitos para o desenvolvimento dos 'data centers' que não existem em outros países, "corre-se o risco de que esses investimentos se desenvolvam fora da Espanha, com o consequente impacto sobre a competitividade" do país. Assim, defende a importância de incorporar novos consumos para o desenvolvimento econômico e a transição ecológica. "A Espanha precisa de mais demanda elétrica, não mais barreiras à demanda. Se queremos eletrificar nossa economia, aumentar a utilização das renováveis e reforçar nossa autonomia energética, devemos facilitar a incorporação de novos consumos, não dificultá-la", afirma. Nesse mesmo sentido, alerta sobre os efeitos prejudiciais de frear o consumo elétrico no sistema. "A mensagem é muito simples: mais demanda significa mais utilização das redes, menos vertidos renováveis e menores custos para consumidores e indústrias. Penalizar a demanda nos conduz exatamente ao resultado contrário", assevera. Além disso, Serrano considera que a proposta do Governo para regular os centros de dados "introduz um risco para o desenvolvimento eficiente do sistema elétrico".INCERTIDUMBRE REGULATORIA. A esse respeito, adverte também que modificar as condições aplicáveis a projetos que já contam com permissões concedidas "gera incerteza regulatória e pode afetar a confiança necessária para continuar investindo em redes, renováveis e nova demanda". No entanto, Serrano valoriza o impulso às energias 'verdes' pelo qual aposta o Real Decreto, embora questionasse o caminho escolhido para exigí-lo aos usuários. "É positivo que a norma contemple a incorporação de novas renováveis, mas não pela via de impor obrigações de geração aos consumidores que além disso não se sabe se vão poder cumprir. A função da demanda é consumir eletricidade e desenvolver sua atividade econômica; a responsabilidade de avançar para um sistema com mais renováveis, menos emissões e maior eficiência corresponde ao sistema elétrico como um todo. Seria mais desejável que os consumidores tivessem incentivos para serem flexíveis", afirma.ORDENAR SU DESARROLLO. Na semana passada, o Governo lançou à audiência pública, pela via de urgência, o projeto de real decreto, no qual propõe exigir que os centros de dados respaldem com nova geração renovável, a cada hora de funcionamento, pelo menos um mínimo de 80% de seu consumo energético. O projeto foi desenvolvido pelos Ministérios para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico; Economia, Comércio e Empresa; e Transformação Digital e Função Pública. Com esta iniciativa busca-se ordenar a implantação dos centros de dados diante do notável aumento da chegada de projetos, garantindo os melhores padrões para assegurar a segurança jurídica e atrair investimentos. Nesse sentido, o Governo estudou a problemática que ocorreu em outros países - como Irlanda, Singapura, Países Baixos ou Estados Unidos - , considerando assim que é o momento oportuno para antecipar-se à regulação e esquivar esses possíveis problemas. A proposta normativa inclui medidas em matéria de resiliência e soberania digital, como a obrigação de que a operação do centro e o controle dos dados associados à operação correspondam a entidades sujeitas ao direito da UE, e também em matéria de sustentabilidade ambiental e energética, como a obrigação de consumir energia renovável de nova implantação, além de cumprir critérios de eficiência energética e de consumo de água. Dessa forma, a normativa busca que se cumpra com os padrões de eficiência hídrica e energética mais exigentes, assim como com os critérios de soberania digital, tecnológica e capacidade de computação.