Os salários do campo e dos serviços, os mais expostos ao golpe da inflação

A maioria dos empregados do campo e dos serviços enfrenta a inflação sem cláusulas de revisão salarial, ao contrário da indústria e da construção.

3 minutos

fotonoticia 20260913094649 1920

fotonoticia 20260913094649 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

Somente quatro em cada dez assalariados, concretamente 39,4%, dispõem de uma cláusula de revisão salarial nos convenções coletivas que lhes são aplicadas para proteger seu poder de compra frente ao aumento dos preços. No entanto, a cobertura varia de forma notável entre ramos de atividade, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho aos quais teve acesso a Europa Press, elaborados a partir das convenções registradas até agosto deste ano.

Enquanto 74,4% dos empregados da indústria e 72,7% dos ocupados na construção sujeitos à negociação coletiva contam com essas cláusulas de garantia salarial em suas convenções, esses níveis de proteção mal alcançam 7,6% dos trabalhadores da agricultura e 24,5% daqueles que atuam no setor de serviços.

Até agosto, haviam sido inscritos 1.658 convenções nos serviços, com efeitos econômicos sobre mais de 6 milhões de assalariados (6.017.960). No entanto, somente 1,47 milhões (1.475.732) incluíam cláusula de revisão salarial, o que representa 24,5% do total de trabalhadores afetados.

Na agricultura, o número de convenções registradas até agosto ascendia a 33, com incidência sobre 121.220 trabalhadores, mas apenas 9.265 deles tinham incorporada uma cláusula de garantia salarial em sua convenção.

A indústria somava 1.127 convenções inscritas até agosto, que davam cobertura a 1,73 milhões de trabalhadores (1.729.180). Desses, 1,28 milhões (1.286.255) contavam com cláusula de revisão, ou seja, mais de sete em cada dez (74,4%).

Na construção, as convenções registradas até o oitavo mês do ano eram 71, com efeitos sobre 976.627 trabalhadores. Desses, sete em cada dez (72,7%, 709.700 trabalhadores) estavam protegidos com uma cláusula de revisão salarial frente aos aumentos da inflação.

Somente três em cada dez convenções incluem cláusula de garantia

Segundo a estatística de Trabalho, entre janeiro e agosto foram registradas 2.889 convenções coletivas, das quais apenas 29,9% (863 convenções) incorporavam uma cláusula de garantia salarial e, delas, 604 previam sua aplicação com efeitos retroativos.

As convenções que contemplam cláusula de revisão alcançam cerca de 3,5 milhões de assalariados (3.480.952) dos mais de 8,8 milhões (8.844.987) cobertos pelas convenções registradas até agosto, o que representa 39,4% do total.

Como consequência, seis em cada dez trabalhadores (60,6%) carecem de cláusulas de salvaguarda em seus convenções coletivas.

Os serviços lideram o aumento salarial médio acordado

Os salários acordados em convenção aumentaram em média 3,04% até agosto, claramente abaixo do dado antecipado de inflação de agosto, de 4,3%, que o Instituto Nacional de Estatística (INE) deverá confirmar na próxima semana.

Por ramos de atividade, o maior aumento salarial médio em convenção corresponde aos serviços, com 3,07%, seguido pela construção (3,06%) e pela indústria (2,95%). A agricultura é o setor com o menor aumento salarial médio, de 2,71%.

As organizações sindicais e empresariais têm que fechar este ano o novo Acordo para o Emprego e a Negociação Coletiva (AENC), depois que expirou em dezembro o pacto anterior, que recomendava aumentos salariais de 3% para 2025, com uma cláusula de revisão salarial que, em caso de desvio da inflação, poderia significar aumentos adicionais de até 1% para cada um dos anos do acordo (2023-2025).

Para o novo marco, as organizações sindicais UGT e CCOO propuseram à patronal um aumento salarial anual fixo de 4% para os próximos três anos, o que significaria um aumento acumulado dos salários de 12% até 2028.

Além disso, propuseram um aumento adicional de 1% nos convenções onde o salário médio esteja 10% abaixo do salário médio nacional, 2% adicional para os salários que estão 20% abaixo do salário médio nacional e um aumento de 3% para os que estão abaixo de 30%.

Da mesma forma, propõem um aumento adicional de 1,5% para cada um dos anos em caso de desvio da inflação.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?