O mercado energético enfrenta a abertura dos mercados europeus com o foco colocado no petróleo. Os últimos ataques sobre infraestruturas energéticas na Rússia e na Arábia Saudita elevaram novamente a preocupação com o fornecimento, após uma semana marcada por uma elevada volatilidade no mercado do petróleo bruto.
O Brent fechou na sexta-feira a 103,87 dólares por barril, após recuar 0,9% durante a sessão. O preço manteve-se acima de 100 dólares em um contexto de tensões sobre as rotas e as infraestruturas de exportação de petróleo.
O petróleo volta a estar no centro do mercado
Um dos focos está na Arábia Saudita, onde um ataque contra o oleoduto East-West obrigou a interromper parte de suas operações. A Saudi Aramco também teria comunicado a vários clientes europeus a suspensão de determinados fornecimentos de petróleo bruto para outubro, enquanto trabalha para recuperar a capacidade afetada.
A esta situação se soma o ataque registrado neste domingo contra a região de Moscovo, que atingiu uma refinaria da capital russa. As autoridades russas informaram sobre a derrubada de mais de 1.600 drones desde sábado e sobre danos em instalações energéticas, embora a extensão dos danos na refinaria ainda não esteja clara.
O efeito conjunto desses episódios sobre o preço do petróleo dependerá da duração e magnitude das interrupções de fornecimento. Por enquanto, o mercado continua registrando movimentos importantes: o Brent chegou a superar 109 dólares durante a semana antes de moderar-se posteriormente.
O que significa para a Repsol
A Repsol é uma das companhias espanholas mais diretamente expostas à evolução das matérias-primas energéticas. A própria companhia publica sensibilidades de seus resultados frente a movimentos do Brent: para o período 2026-2028, estima que uma variação de 10 dólares por barril pode se traduzir em uma variação aproximada de 360 milhões de euros anuais em seu EBIT, segundo o restante das variáveis contempladas pela companhia.
Isso não significa que uma alta concreta do petróleo bruto vá se traduzir automaticamente em uma alta da ação. O resultado da Repsol também está condicionado por outros fatores, entre eles as margens de refino, a taxa de câmbio, a evolução da demanda e a cotação geral do mercado.
IAG, do lado dos custos
Para as companhias aéreas, a relação com o petróleo funciona de maneira diferente. Um encarecimento sustentado do crude pode aumentar os custos associados ao combustível, um dos principais gastos operacionais do setor.
No caso da IAG, que agrupa companhias como Iberia, British Airways, Vueling e Aer Lingus, a evolução do combustível constitui portanto uma variável relevante para suas contas. O impacto final dependerá, entre outros fatores, da evolução do preço do combustível utilizado pelas companhias aéreas, as coberturas contratadas e sua capacidade de transferir parte dos maiores custos para as tarifas.
Por isso, um movimento do petróleo pode afetar de maneira diferente uma companhia energética como Repsol e um grupo aéreo como IAG. A direção concreta de suas ações na abertura da segunda-feira dependerá, além disso, de como reagem os mercados ao conjunto de notícias e de outros fatores bursáteis.
A chave estará na abertura da segunda-feira
Os mercados europeus permanecerão fechados durante o fim de semana, por isso não existe uma cotação bursátil de Repsol ou IAG que permita antecipar como reagirão suas ações antes da abertura.
A referência que seguirá o mercado será a evolução dos futuros do petróleo e a informação que aparecer durante as horas anteriores à abertura europeia. Qualquer movimento do Brent deverá ser interpretado além disso junto com as novidades sobre as infraestruturas afetadas, as rotas de fornecimento e a resposta dos principais produtores.
Neste contexto, o cenário para Repsol e IAG está condicionado por fatores diferentes e não permite antecipar por si só o comportamento de nenhuma das duas ações na sessão da segunda-feira.