Hansi Flick prepara uma possível transformação de Frenkie de Jong no FC Barcelona. O treinador alemão começou a testar o jogador neerlandês como defensor central durante os últimos treinos, uma alternativa que ganha força enquanto o jogador finaliza sua recuperação da lesão no joelho que o impediu de disputar os primeiros jogos da temporada. A decisão responde tanto às necessidades esportivas da equipe quanto à intenção de facilitar seu retorno à competição sem assumir riscos desnecessários.
O meio-campista, que ainda não estreou na presente temporada, já trabalha no gramado da Cidade Esportiva Joan Gamper e começou a se reintegrar progressivamente à dinâmica do grupo. As sensações do jogador são positivas e seu entorno confia que ele possa recuperar em breve o ritmo competitivo, embora a comissão técnica mantenha a prudência. O objetivo é que De Jong chegue nas melhores condições possíveis ao Clássico contra o Real Madrid no próximo dia 25 de outubro, uma das datas mais importantes do calendário azulgrana.
A principal novidade reside em sua possível localização em campo. Segundo as informações conhecidas nesta segunda-feira, Flick ensaiou com De Jong no eixo da defesa, uma posição em que ele já atuou anteriormente e que poderia lhe oferecer mais oportunidades de participação diante da elevada concorrência existente no meio-campo.
A lesão no joelho, uma das chaves da mudança de posição
O jogador neerlandês permanece afastado dos campos desde o último verão, quando sofreu uma lesão no ligamento colateral medial do joelho direito durante a Copa do Mundo de 2026. O meio-campista optou por seguir um tratamento conservador e evitar uma intervenção cirúrgica, uma decisão que condicionou os prazos de recuperação e que obriga o Barça a controlar cuidadosamente sua reintegração.
Uma das preocupações da comissão técnica é a resposta do joelho diante dos movimentos de maior exigência física. Em sua posição habitual, De Jong precisa realizar constantes mudanças de direção, acelerações, paradas e giros para superar a pressão adversária e participar na construção do jogo. Essas ações podem exigir um esforço importante de uma articulação que ainda está se recuperando de uma lesão ligamentar.
Por este motivo, a possibilidade de situá-lo como defesa central é estudada também como uma alternativa para reduzir determinadas exigências físicas durante seu retorno. Desde uma posição mais recuada, o neerlandês poderia participar na saída de bola com o jogo de frente e aproveitar sua capacidade de passe sem ter que intervir com tanta frequência em espaços congestionados.
No entanto, a mudança não elimina todos os riscos físicos. A posição de central também exige acelerações, mudanças de direção e ações defensivas de alta intensidade, especialmente em um time como o Barça, que costuma defender com muitos metros às suas costas. Portanto, a decisão definitiva dependerá da evolução médica do futebolista e de como ele responda nos treinos.
A competição no meio-campo favorece a alternativa defensiva
A possível mudança de posição também tem uma explicação estritamente esportiva. O FC Barcelona conta com numerosas alternativas no meio-campo, o que dificulta encontrar minutos para todos os seus futebolistas quando o elenco está disponível. A presença de jogadores como Pedri, Gavi, Fermín López e Marc Bernal aumenta a competição em uma zona fundamental para o estilo de jogo de Flick.
De Jong tem sido durante anos um dos principais organizadores da equipe, graças à sua capacidade de conduzir a bola, superar linhas de pressão e conectar a defesa com o ataque. No entanto, sua prolongada ausência obrigou o técnico alemão a buscar outras soluções, permitindo que diferentes meio-campistas assumam responsabilidades na circulação e recuperação da bola.
Nesse contexto, o neerlandês poderia encontrar uma nova via para recuperar protagonismo desde a defesa. Sua qualidade técnica e sua experiência na saída de bola se encaixam com a necessidade do Barça de contar com centrais capazes de iniciar as jogadas de trás, especialmente diante de rivais que pressionam perto da área azulgrana.
A possibilidade também não é completamente desconhecida para o jogador. De Jong já ocupou a posição de central em diferentes etapas de sua carreira, tanto no Ajax quanto no Barcelona, embora sua demarcação habitual e aquela na qual desenvolveu a maior parte de sua trajetória continue sendo a de meio-campista.
A lesão de Christensen abre novas possibilidades na defesa
Os testes de Flick chegam também em um momento em que o Barça deve gerir várias ausências importantes. Andreas Christensen continua lesionado, uma circunstância que reduz as alternativas disponíveis no centro da defesa e obriga o treinador a avaliar diferentes combinações defensivas.
O técnico alemão já demonstrou sua disposição a modificar as posições de seus jogadores em função das necessidades da equipe. No recente encontro frente ao Getafe, Eric García atuou como zagueiro e Jules Koundé ocupou a lateral direita, uma distribuição diferente da que Flick havia planejado inicialmente para ambos os futebolistas durante a temporada.
A versatilidade de De Jong poderia se tornar assim em um recurso adicional. Sua capacidade para iniciar as jogadas de trás permitiria ao Barcelona manter uma saída de bola elaborada, enquanto sua experiência como meio-campista ofereceria uma alternativa para superar a primeira linha de pressão adversária.
No entanto, sua utilização como zagueiro ainda se encontra em fase de testes e não significa que Flick tenha decidido mudar definitivamente sua posição. O treinador deverá avaliar seu estado físico, as necessidades da equipe e o desempenho dos defensores disponíveis antes de adotar uma decisão.
De Jong aponta para o Betis e tem marcado o Clássico contra o Real Madrid
O retorno do neerlandês se aproxima em um momento de máxima exigência para o conjunto azulgrana. O Barça enfrenta nesta terça-feira, 13 de outubro, sua visita ao Galatasaray na segunda jornada da Liga dos Campeões, um encontro para o qual Flick não poderá contar com De Jong, Raphinha, Christensen nem Roony Bardghji.
O treinador deslocou 22 futebolistas a Istambul, mantendo a base da convocação que participou na recente vitória frente ao Getafe. Enquanto seus companheiros preparam o compromisso europeu, De Jong continua trabalhando em Barcelona para completar sua recuperação e estar disponível o quanto antes.
A primeira oportunidade para sua reaparição poderia chegar no sábado 17 de outubro, quando o Barcelona enfrentar o Real Betis em La Cartuja. No entanto, sua participação ainda não está garantida e dependerá das sensações do jogador e da avaliação dos serviços médicos.
Outra data importante será o compromisso da Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain, previsto para 20 de outubro, antes do esperado Clássico contra o Real Madrid no domingo 25. A intenção do entorno do jogador é que ele possa chegar a esse confronto em plenitude de condições, embora o clube não queira precipitar os prazos.
Flick também espera recuperar Raphinha em um calendário exigente
A situação de De Jong coincide com outra das principais preocupações da comissão técnica: a recuperação de Raphinha, que voltou da última pausa internacional com dores musculares após seus compromissos com o Brasil. O atacante brasileiro começou a trabalhar novamente no gramado, embora também não tenha viajado para a Turquia para disputar o encontro contra o Galatasaray.
A ausência do atacante gerou desconforto dentro do clube, já que se trata da terceira ocasião em que ele retorna com problemas físicos após uma concentração com a seleção brasileira. Flick optou por manter a prudência e conceder mais tempo de recuperação para evitar uma recaída que pudesse comprometer sua participação nos próximos jogos.
O conjunto azulgrana enfrenta assim um calendário especialmente exigente, com compromissos de LaLiga e Champions League concentrados em apenas algumas semanas. A recuperação de jogadores importantes será determinante para gerir as rotações e manter o nível competitivo da equipe.
No caso de Frenkie de Jong, Flick dispõe agora de uma alternativa que poderia modificar seu papel dentro do Barcelona. Sua possível reconversão em zagueiro permitiria aproveitar sua experiência e qualidade técnica em uma posição diferente, embora ainda esteja por comprovar se se trata de uma solução temporária para facilitar sua recuperação ou de uma opção que o treinador manterá durante a temporada.
O primeiro passo será recuperar o neerlandês para a competição. Depois chegará o momento de verificar se seu retorno ocorre no meio-campo, sua posição natural, ou em uma defesa na qual Hansi Flick já começou a testar suas qualidades.