Bruxelas acelera as ajudas de emergência para Ceuta após receber o pedido formal da Espanha

A Comissão Europeia inicia a avaliação para mobilizar financiamento de emergência destinado a reforçar as fronteiras, as infraestruturas de segurança e a acolhida de migrantes, incluindo os menores não acompanhados. Um alto funcionário comunitário assegura ao Demócrata que Bruxelas busca uma "avaliação e uma decisão rápidas"

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El comisario de Interior, Magnus Brunner. Peter Kneffel/dpa

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A Comissão Europeia já tem oficialmente sobre a mesa o pedido do Governo espanhol para ativar financiamento de emergência destinado a enfrentar a crise migratória em Ceuta. Bruxelas inicia agora a avaliação das necessidades apresentadas pela Espanha e promete avançar para uma decisão rápida sobre o apoio econômico, 25 dias após a entrada de mais de 80.000 pessoas provenientes de Marrocos na cidade autônoma.

O Executivo comunitário confirmou a recepção do pedido formal, um passo imprescindível para desbloquear os mecanismos europeus de assistência de emergência. O pedido permitirá concretizar agora tanto as ações que poderão receber financiamento quanto o volume de recursos que finalmente mobilizará a União Europeia. "Posso confirmar que a Comissão recebeu o pedido formal das autoridades espanholas de financiamento de assistência de emergência para enfrentar a situação migratória em Ceuta", explica um alto funcionário comunitário.

O pedido chega após vários dias de contatos entre Madrid e Bruxelas. Segundo as fontes comunitárias, a Comissão manteve uma comunicação "estreita" com as autoridades espanholas antes da apresentação oficial do pedido e o objetivo passa agora por acelerar ao máximo os procedimentos. "Agora trabalharemos para conseguir uma avaliação e uma decisão rápidas", acrescenta o Executivo comunitário.

Fronteiras, segurança e acolhimento

A ativação desta via de financiamento responde a uma das principais necessidades apresentadas pela Espanha desde que estourou a crise. Os fundos solicitados serão destinados, em particular, a reforçar a proteção da fronteira e as infraestruturas vinculadas à segurança, assim como a ampliar a capacidade de acolhimento diante da chegada maciça de migrantes.

A Comissão Europeia precisou ainda que entre as ações incluídas no pedido figura a criação de uma capacidade de recepção adequada para as pessoas chegadas a Ceuta, com uma atenção específica aos menores não acompanhados, um dos principais desafios derivados da atual situação.

"A solicitação inclui, em particular, medidas para melhorar a proteção das fronteiras e das infraestruturas relacionadas com a segurança, assim como para estabelecer uma capacidade de acolhimento adequada, também para os menores não acompanhados", aponta o porta-voz. Até agora, a disposição da União Europeia em mobilizar recursos para a Espanha tinha permanecido em uma fase preliminar. Bruxelas tinha oferecido desde o início da crise a possibilidade de recorrer aos instrumentos financeiros europeus disponíveis para responder à pressão migratória, mas precisava de um pedido formal do Governo espanhol para iniciar o procedimento.

A ministra de Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz | Fernando Sánchez - Europa Press
A ministra de Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz | Fernando Sánchez - Europa Press -

A ministra de Migrações, Elma Saiz, assegurou no dia 18 de agosto que a Espanha já havia feito a solicitação. No entanto, a Comissão Europeia esclareceu então que, até aquele momento, apenas tinham ocorrido contatos informais entre ambas as partes e que o pedido formal ainda não havia chegado aos serviços comunitários.

A recepção oficial da solicitação muda agora esse cenário. A Comissão poderá analisar de maneira concreta as necessidades apresentadas pela Espanha e determinar quais ações podem ser cobertas pelos mecanismos europeus de assistência de emergência.

Bruxelas mantém aberto o apoio operativo

A resposta da Comissão não se limita, no entanto, à dimensão econômica. O Executivo comunitário insiste que mantém aberta a porta a um apoio mais amplo à Espanha, tanto no plano financeiro como no operativo e político.

"A Comissão está disposta a continuar apoiando a Espanha para enfrentar a situação em Ceuta do ponto de vista financeiro, operativo e político, como fizemos desde o primeiro dia", sublinha o alto funcionário comunitário.

Essa formulação mantém aberta a possibilidade de que, além dos fundos de emergência, a Espanha possa solicitar um reforço dos recursos europeus disponíveis no terreno. As instituições comunitárias já tinham apontado durante as últimas semanas a capacidade de mobilizar apoio através de agências como Frontex, Europol ou a Agência de Asilo da União Europeia.

Esse eventual reforço operativo exigiria também a correspondente solicitação das autoridades espanholas e uma avaliação das necessidades concretas. Por enquanto, a prioridade imediata passa pela solicitação financeira que Bruxelas acaba de confirmar oficialmente. A decisão sobre a quantia das ajudas dependerá precisamente dessa avaliação. A Comissão deverá analisar agora as medidas incluídas pela Espanha, seu custo e o caráter de emergência das ações previstas antes de adotar uma decisão definitiva sobre o financiamento.

O passo dado nesta segunda-feira supõe, portanto, a entrada da crise de Ceuta em uma nova fase. Após semanas de contatos políticos e técnicos, Bruxelas já conta com a solicitação formal que precisava para ativar sua maquinaria financeira. A incógnita passa agora por determinar quanto dinheiro mobilizará a União Europeia e com que rapidez poderá chegar à Espanha para responder a uma crise migratória que voltou a colocar a pressão sobre as fronteiras exteriores no centro do debate europeu.

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