A ascensão da Alternativa para a Alemanha na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental não se explica apenas pelo afundamento da CDU. A primeira estimativa de transferências eleitorais da Infratest dimap aponta outra origem decisiva de seus ganhos: a mobilização de pessoas que anteriormente se abstiveram.
O modelo publicado pela ARD atribui à AfD um saldo positivo de 67.000 votos em sua troca com a abstenção. É o maior ganho entre os fluxos que aparecem no gráfico provisório das 18:00.
O dado acrescenta uma dimensão ao resultado: o partido amplia seu apoio além da disputa pelos eleitores que já votavam em outras formações.
O SPD aporta um saldo maior que a CDU
A segunda transferência mais importante das coletadas nesse gráfico procede do SPD. Infratest dimap calcula um ganho líquido de 45.000 votos para a AfD na troca com os social-democratas.
Frente à CDU, o saldo favorável é de 28.000. O modelo também estima ganhos líquidos de 15.000 votos frente ao FDP e de 8.000 frente ao Die Linke.
A procedência desses apoios desenha uma expansão transversal entre eleitorados de partidos diferentes. Em particular, o saldo frente ao SPD supera o que aparece frente aos conservadores, apesar de que a queda da CDU concentra boa parte da atenção política.
O que significa uma transferência líquida de votos
Os números da Infratest dimap expressam saldos estimados. Um ganho de 45.000 votos frente ao SPD significa que a troca entre ambas as formações favorece a AfD nessa quantidade; pode haver movimentos nas duas direções.
Ampliar o eleitorado não garante chegar ao Governo
A pesquisa de fechamento da ARD coloca a AfD em 37%, à frente do SPD, com 35,5%, enquanto a CDU fica em 5,5%. São estimativas divulgadas ao fechamento das urnas. A Reuters coleta, além disso, que as outras principais forças mantêm sua rejeição a uma coalizão com a AfD.
O partido enfrenta, portanto, dois testes diferentes: transformar seu crescimento em cadeiras e conseguir uma maioria que permita governar.
A análise de transferências ajuda a entender o primeiro. Sua expansão se alimenta da abstenção e de vários partidos, o que apresenta a seus rivais um problema mais amplo do que recuperar um único grupo de antigos eleitores.
Fica pendente conhecer com suficiente detalhe quais perfis sociais e geracionais protagonizam esses movimentos. O que sim mostram é que a mobilização de antigos abstenencionistas ocupa um lugar central no avanço da AfD.