A jornalista e aspirante a governadora regional de Áncash, no Peru, Susy Isabel Aponte Polo, conhecida popularmente como "La China Polo" e assassinada no último sábado, havia apontado no dia 10 de setembro para o chefe de Investigação Criminal da Polícia Nacional, Víctor Revoredo Farfán, a quem responsabilizou por planejar seu assassinato.
"De três penais (prisões) recebi chamadas me avisando que este senhor Víctor Revoredo Farfán ordenou um atentado contra minha pessoa. Já fiz a denúncia nas entidades correspondentes", afirmou, segundo relata o diário peruano "La República".
"A você eu digo, senhor Revoredo: aqui tem que parar o macho. Aqui não se deve agir como covardes, como vocês têm o costume. Qual é o temor? Que eu tire todas as suas sujeiras?", acrescentou.
Aponte foi abatida a tiros neste sábado durante um ato de campanha na cidade de Caraz, no noroeste do país. O ataque ocorreu por volta das 12h40, quando caminhava pela via pública acompanhada de simpatizantes enquanto distribuía material de campanha. Um homem sacou uma arma de fogo e disparou várias vezes contra ela antes de fugir. Pelo menos outras cinco pessoas ficaram feridas na troca de tiros.
Minutos depois, as forças de segurança prenderam um cidadão venezuelano identificado como Luis Obispo Díaz, de 29 anos, a quem foi apreendida uma pistola. Até agora, nem a Polícia nem o próprio Revoredo ofereceram explicações sobre o possível motivo do crime.
Na mesma sábado, horas antes de ser assassinada, Aponte havia antecipado a publicação de uma reportagem sobre o histórico de Lalo Villa, candidato à Prefeitura de Huaraz pela Aliança para o Progresso (APP), na qual vinculava a formação com a gestão da água em Áncash e com atuações que se estenderiam às zonas de Ferreñafe e Chiclayo. Em agosto, além disso, havia tornado públicas denúncias sobre supostos favores no Poder Judiciário relacionados a processos da apresentadora de televisão Magaly Medina.