A União Europeia reiterou nesta quinta-feira a urgência de que o Haiti organize eleições "críveis, transparentes e democráticas", depois de as autoridades eleitorais do país caribenho terem decidido adiar para 18 de julho de 2027 o primeiro turno das presidenciais e legislativas, que estavam inicialmente fixadas para dezembro deste ano, em pleno agravamento da crise de segurança.
O Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) sublinhou em um comunicado que "Eleições críveis, transparentes e democráticas são essenciais para garantir a legitimidade institucional" e assegurou que segue de perto os últimos passos dados na preparação do processo eleitoral no Haiti, reiterando seu apoio à realização dos pleitos.
Neste quadro, a diplomacia comunitária aplaudiu a decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas de estender até 31 de março de 2027 o mandato da Força de Repressão de Gangues Criminosas (FSB), à qual atribui um papel "fundamental" para reforçar as condições de segurança imprescindíveis para poder ir às urnas.
Bruxelas também mostrou seu reconhecimento aos Estados que fornecem efetivos a essa força internacional e expressou seu apoio a El Salvador diante do desaparecimento de militares salvadorenhos destacados no terreno.
A União recordou igualmente que existem "diversos regimes de sanções internacionais", entre eles um instrumento europeu dirigido contra aqueles que sejam responsáveis por "ameaçar a paz, a estabilidade ou a segurança do Haiti" ou por "minar a democracia e o Estado de direito".
O posicionamento dos Vinte e Sete ocorre após a apresentação por parte do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) de um novo calendário que atrasa o primeiro turno das eleições de 13 de dezembro de 2026 para 18 de julho de 2027, enquanto um eventual segundo turno se realizaria em 4 de outubro do mesmo ano.
Segundo o CEP, esta atualização do cronograma tem como objetivo "favorecer a continuidade das operações eleitorais em condições que permitam aos atores implicados cumprir com suas obrigações de conformidade com o disposto no marco jurídico". Apesar do novo atraso, o organismo reiterou sua determinação de levar adiante o processo "com profissionalismo e rigor" para assegurar umas eleições "inclusivas, críveis e transparentes".