A União Europeia voltou a sublinhar que os assentamentos na Cisjordânia são "ilegais" conforme o Direito Internacional, depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, atacou as recentes declarações da Alta Representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, que propôs vetar o comércio com os assentamentos da mesma forma que se agiu diante da anexação "ilegal" da Crimeia por parte da Rússia.
"A postura de longa duração da UE é que os assentamentos na Cisjordânia são ilegais segundo o Direito Internacional. Constituem um obstáculo para a paz e para a viabilidade da solução de dois Estados", assinalou o porta-voz do Serviço de Ação Externa da UE, Anouar El Anouni, em declarações à Europa Press.
Ao mesmo tempo, El Anouni destacou que o bloco comunitário já decidiu em seu momento "todas as importações, exportações e investimentos provenientes da península anexada ilegalmente ou destinados a ela" uma vez que Moscovo consumou a anexação em 2014.
Essas esclarecimentos chegam depois que o chefe da diplomacia israelense atacou as palavras de Kallas sobre a proibição do comércio com os assentamentos israelenses, nas quais defendia que a UE deveria abordar este assunto "da mesma forma" que quando a Rússia se anexou de maneira "ilegal" à Crimeia.
"A comparação traçada por Kaja Kallas não tem base fática nem legal alguma e é completamente inaceitável. A conexão do povo judeu e seu direito com Judá e Samaria (Cisjordânia) e a Terra de Israel estão documentados de maneira muito mais extensa do que os de qualquer outro povo na história humana", criticou Saar.
Nessa linha, o ministro ressaltou que, apesar dos paralelismos levantados por Kallas, a Cisjordânia "nunca pertenceu a um Estado palestino, que nunca existiu". "Até os próprios palestinos assinaram uma solução negociada para os territórios em disputa", indicou.
"O que está tentando fazer a Alta Representante para Assuntos Exteriores e Política de Segurança? Comparar a única democracia no Oriente Médio, que contribui de tantas maneiras para a defesa e segurança da Europa, com a Rússia? Parou para pensar no que está realmente dizendo?", questionou.
Reino Unido comunicou esta semana o veto à entrada de produtos originários de assentamentos, uma medida coordenada com a França e o Canadá, que se juntam assim aos Países Baixos, Irlanda, Bélgica, Espanha e Noruega, países que já iniciaram o processo para impedir o comércio com os territórios ocupados.
As sanções comerciais dentro da UE contra Israel continuam bloqueadas desde o ano passado, quando em setembro a Comissão Europeia propôs a suspensão parcial do Acordo de Associação. No entanto, a proposta continua sem reunir o apoio suficiente —maioria qualificada— para poder prosperar.