Uruguai volta a estar em emergência sanitária por influenza aviária. A Direção Geral de Serviços Pecuários (DGSG) declarou nesta sexta-feira 4 de setembro a emergência em todo o território nacional após confirmar a presença de influenza aviária H5 de alta patogenicidade em aves de quintal do departamento de Colônia. A decisão ativa restrições sobre o movimento e concentração de aves para tentar impedir que o vírus alcance explorações comerciais.
O foco foi detectado depois que as autoridades receberam uma suspensão sanitária pela morte de aves de diferentes espécies. Um primeiro teste rápido havia dado negativo, mas as amostras foram enviadas ao laboratório oficial e as análises posteriores confirmaram a presença do vírus. Os Serviços Pecuários trabalham agora na propriedade afetada e em seu entorno para tentar determinar a origem do episódio e verificar se existem conexões com outras propriedades.
O que implica a emergência sanitária
A resolução restringe em todo o Uruguai os movimentos de aves de quintal e daquelas que não estejam controladas pelo Sistema de Monitoramento Avícola. As aves incluídas nesse sistema poderão continuar se deslocando sob seus mecanismos habituais de controle sanitário.
Além disso, as aves de quintal e as pertencentes a sistemas produtivos Free Range deverão permanecer em instalações fechadas e cobertas. Também ficam suspensas as feiras, leilões, exposições e qualquer outro evento relacionado com aves enquanto as medidas estiverem vigentes. O descumprimento pode resultar nas sanções previstas na legislação uruguaia.
Na propriedade afetada, as autoridades ordenaram a interdição do imóvel, o sacrifício sanitário e a disposição segura das aves expostas, junto com trabalhos de limpeza e desinfecção. Também está sendo realizado um rastreamento dos movimentos, entradas e contatos registrados durante as semanas anteriores e foi reforçada a vigilância epidemiológica na área.
Não há casos em aves comerciais
Um dos dados relevantes é que, até o último balanço oficial, o foco se limita a aves de quintal e não foram detectados casos na produção avícola comercial. O Ministério da Pecuária também insistiu que o consumo de carne de frango e ovos não representa um risco para a saúde humana em relação a este episódio.
O MGAP trabalha de forma coordenada com o Ministério da Saúde Pública, que realiza o acompanhamento das pessoas que puderam estar expostas diretamente às aves do estabelecimento afetado. As autoridades uruguaias lembram que a influenza aviária não se transmite com facilidade para as pessoas, embora recomendem não manipular aves doentes ou mortas e comunicar qualquer achado suspeito aos serviços veterinários.
Uruguai já havia levantado outra emergência em abril
O novo episódio chega poucos meses depois que o Uruguai deu por encerrada uma emergência anterior. Em fevereiro de 2026, foram detectados casos de influenza aviária de alta patogenicidade em aves silvestres, entre elas exemplares localizados na Laguna Garzón e Canelones. Após passar mais de 54 dias sem evidências de circulação do vírus, a DGSG levantou aquela emergência sanitária no final de abril.
A diferença agora é que a detecção ocorreu em aves domésticas de quintal, o que levou as autoridades a recuperar imediatamente as restrições nacionais para reduzir o risco de propagação para outras explorações.
Vigilância reforçada em todo o país
A investigação deverá determinar agora como o vírus chegou ao estabelecimento de Colônia e se existem outros focos relacionados. Enquanto isso, o Governo solicita aos produtores e proprietários de aves que intensifiquem as medidas de biosegurança, especialmente para impedir o contato entre aves domésticas e exemplares silvestres.
Entre os sintomas que devem gerar um alerta figuram a mortalidade repentina, dificuldades respiratórias, inchaço da cabeça, coloração azulada de cristas ou patas, diarreia, sinais nervosos ou uma redução brusca da postura de ovos. Qualquer suspeita deve ser notificada aos Serviços Pecuários.
A emergência sanitária tem alcance nacional, mas não significa que exista um surto generalizado nas granjas uruguaias nem uma emergência sanitária humana. Por enquanto, existe um foco confirmado em aves de quintal em Colônia e nenhuma detecção em aves comerciais. A prioridade das autoridades é precisamente mantê-lo contido e evitar que o vírus se espalhe pela indústria avícola do país.