O responsável pelos serviços de inteligência israelenses, o Mossad, Roman Goffman, se reuniu neste domingo com o ministro das Relações Exteriores da Síria, Asad al Sheibani. A reunião ocorre poucos dias após os mais recentes bombardeios israelenses sobre território sírio, de acordo com informações de meios israelenses que citam fontes oficiais.
Uma das fontes a par da reunião apontou que o encontro se desenvolveu de maneira positiva, embora detalhes concretos não tenham sido divulgados nem informações adicionais sobre seu conteúdo.
Na terça-feira passada, Israel realizou um ataque contra a base aérea militar síria de Abú Duhur e responsabilizou a Turquia por tentar se estabelecer nessas instalações, algo que, segundo as autoridades israelenses, representaria uma ameaça à sua segurança.
Por sua vez, o Governo sírio insistiu que a Turquia não estabelecerá presença nessa base, enquanto os Estados Unidos vincularam o bombardeio à campanha eleitoral em Israel.
A existência da reunião foi corroborada por uma fonte diplomática à agência de notícias oficial síria, SANA, que precisou que as conversas se concentraram em acordar mecanismos práticos para frear os ataques, as detenções e as operações de perseguição por parte de Israel, além de abordar a retomada das negociações com vistas a alcançar um acordo de segurança que possa servir de fundamento para um entendimento mais amplo no futuro.
Além disso, a SANA indicou que Damasco reiterou sua posição de que o Golã ocupado constitui território sírio e que, na conjuntura atual, é cedo demais para discutir seu status definitivo ou a fórmula para resolvê-lo. Como prioridade imediata, a agência sublinha a exigência da retirada das forças israelenses até as linhas que mantinham antes de 8 de dezembro de 2024 e a plena implementação dos acordos de 1974.
Convém lembrar que o Acordo de Separação foi assinado em 1974 após a guerra do Yom Kipur e é considerado quebrantado há anos, depois que Israel acessou a zona dos Altos do Golã sob supervisão das Nações Unidas, uma medida que o Executivo israelense justificou então como preventiva diante da instabilidade interna que vivia a Síria.