Ampliação | Quatro palestinos e dois israelenses falecem em um violento ataque de colonos no norte da Cisjordânia

Um ataque de colonos em Tell, Cisjordânia, deixa quatro palestinos e dois israelenses mortos e desencadeia novas medidas de força do Governo de Netanyahu.

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Um ataque perpetrado por colonos israelenses contra a localidade palestina de Tell, no norte da Cisjordânia, deixou esta madrugada quatro palestinos mortos, todos pertencentes a uma mesma família, além de quatro feridos —três em estado crítico— e outros dois falecidos israelenses, um reservista e um militar.

O Ministério da Saúde palestino confirmou por meio de um comunicado o falecimento de quatro pessoas e precisou que outras quatro ficaram feridas, três delas gravemente, depois que um grupo de colonos invadiu várias casas situadas no leste da localidade, próxima ao assentamento de Havat Gilad, ao sul de Nablus, segundo informou a agência oficial palestina WAFA.

Um porta-voz do Ministério apontou que militares e colonos israelenses teriam aberto fogo de maneira "indiscriminada" contra civis palestinos da área, e especificou que as vítimas mortais palestinas são dois irmãos e seus primos. Além disso, acusou as forças israelenses de terem transformado a localidade em uma "zona militar fechada".

O prefeito de Tell, Walid Zidan, detalhou que cerca de uma dezena de colonos participaram do ataque, ocorrido aproximadamente entre as 7h30 e as 8h00 (hora local). "Os residentes acudiram rapidamente em defesa dos proprietários de casas da área. Um confronto verbal com os colonos resultou em uma briga física quando os aldeões tentaram repelir o ataque", explicou em um comunicado divulgado pela agência palestina Sanad.

"Existe uma incitação generalizada por parte dos líderes israelenses. Afirmamos que são os colonos quem atacam os palestinos, invadem suas casas e se apoderam de terras, sem deixar aos residentes outra opção a não ser se defender", denunciou o prefeito.

Por sua parte, Isam Al Saifi, secretário local do movimento palestino Al Fatá, acusou os militares israelenses de colaborarem com os colonos, que estavam armados e abriram fogo contra os habitantes palestinos. De acordo com os dados do Ministério da Saúde palestino, desde o início do ano, 87 palestinos morreram nas governadorias da Cisjordânia, 21 deles às mãos de colonos.

As autoridades israelenses, por outro lado, informaram sobre dois mortos israelenses. O primeiro foi identificado como Benayahu Mellet, de 32 anos, um "oficial de segurança civil" e reservista, que perdeu a vida quando um palestino lhe tomou a arma e começou a disparar contra os colonos que estavam atacando a localidade. O Governo palestino sustenta que o palestino agiu em legítima defesa e acusa os colonos de abrir fogo sem discriminação contra a população local.

A segunda vítima israelense é o militar Yuval Ezra, de 27 anos, comandante de bateria do 411º Batalhão do 282º Regimento de Artilharia e natural de Herzliya, segundo confirmou o Exército, também atingido pelos disparos do mesmo cidadão palestino.

De acordo com a versão oferecida pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), as tropas se deslocaram para uma área próxima a Tell depois que vários colonos denunciaram um ataque enquanto faziam trilhas nas redondezas. "Um terrorista roubou uma arma de um agente e abriu fogo contra os civis israelenses", indicaram, antes de assegurar que os soldados "eliminaram rapidamente o terrorista que perpetraram o ataque". "Foi eliminado rapidamente e a arma foi recuperada", acrescentaram.

Resposta do Governo israelense e aumento da tensão

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, prometeu agir "com firmeza" e convocou uma reunião de segurança com o ministro da Defesa, Israel Katz, e o chefe do Exército, Eyal Zamir, para analisar o que aconteceu, segundo um comunicado divulgado por seu escritório.

"Agiremos com toda a força possível contra os terroristas e quem os envia, e não permitiremos que o terrorismo volte a surgir na área", manifestou Netanyahu, que adiantou que estudará "opções para responder a este ataque assassino perto de Havat Gilad".

Netanyahu ordenou reforçar o deslocamento das forças armadas na Cisjordânia após os graves incidentes e anunciou sua intenção de impulsionar novos "postos avançados" de colonos, mesmo aqueles que a própria legislação israelense considera ilegais, assim como a regularização dos já existentes.

O chefe do Estado Maior, Eyal Zamir, instruiu aumentar a presença militar na área afetada ao longo da manhã, após qualificar o ocorrido como um "grave ataque terrorista", e reivindicou "apresar" todos os implicados.

Na mesma linha, o ministro das Finanças, o ultradireitista Bezalel Smotrich, reclamou às Forças Armadas "tomar medidas contundentes contra os palestinos" após o confronto. "Não podemos normalizar o enfraquecimento nem o reaparecimento de nossos inimigos contra os pioneiros dos assentamentos e das fazendas. Exijo que as FDI ajam com firmeza contra a localidade responsável pela violência e os residentes de seus arredores", destacou em uma mensagem publicada nas redes sociais.

"Os heroicos trabalhadores agrícolas e pioneiros são o muro de proteção do Estado de Israel. Continuaremos fortalecendo-os e honrando-os por sua firme defesa de nossa existência na terra de Israel frente ao terrorismo árabe", acrescentou Smotrich, que instou a "tomar o controle de toda a zona".

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