A Comissão Europeia instou esta terça-feira o Executivo de Israel a pôr fim à retórica "atroz e incendiária" do seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, após suas recentes manifestações nas quais falou em matar cada noite cerca de 40 palestinos de Gaza, e destacou que continua sobre a mesa uma proposta para incluí-lo na lista de sanções da UE por violações dos Direitos Humanos.
"No seu papel de ministro, o Governo israelense tem a responsabilidade de conter esse tipo de retórica", indicou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas o porta-voz de Relações Exteriores da União Europeia, Anouar El Anouni, que ressaltou que o uso de uma linguagem "atroz e incendiária" é "inaceitável" e "não deve ficar impune". O representante comunitário respondia assim a uma questão sobre as palavras de Ben Gvir, que pediu intensificar os ataques contra a Faixa de Gaza, defendeu a morte de dezenas de palestinos a cada noite e apoiou a construção de "assentamentos judeus" no enclave palestino ao considerar que seus habitantes "nem sequer são pessoas".
Neste contexto, El Anouni recordou que a Comissão Europeia elevou ao Conselho (os Estados membros) uma proposta para incluir o ministro israelense na lista de sanções do bloco sob o regime global de sanções por violações dos Direitos Humanos. Em relação à escalada dos ataques israelenses sobre Gaza e à situação das crianças palestinas, o porta-voz reiterou que a população civil, "em particular as crianças", deve ser protegida em todos os momentos conforme o Direito Internacional Humanitário.
Essas declarações chegam após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter ameaçado com novas evacuações de residentes se a partir da Faixa de Gaza não se parar imediatamente o lançamento de "pipas, drones e balões", apesar de que o próprio Exército israelense confirmou que tais objetos não transportavam nada perigoso.
Bruxelas mantém sua oposição ao plano de assentamento E1
Por outro lado, a Comissão Europeia reiterou seu pedido a Israel para que retire a licitação destinada a construir mais de 1.200 habitações no polêmico projeto de assentamento E1, ao entender que seu desenvolvimento prejudicaria gravemente as perspectivas de uma solução de dois Estados.
O Anouni advertiu que a implementação deste plano partiria a Cisjordânia em dois, isolaria Jerusalém Leste e minaria ainda mais a viabilidade da solução de dois Estados, em um cenário já marcado pelo aumento da violência dos colonos. "A posição da UE é clara", enfatizou o porta-voz, insistindo que os assentamentos israelenses na Cisjordânia, incluindo a área E1, são "ilegais" de acordo com o Direito Internacional.