O primeiro-ministro do Egito, Mustafá Madbuly, aproveitou esta sexta-feira sua intervenção na Assembleia Geral da ONU para reiterar a oposição "categorica" de seu Governo a qualquer iniciativa que busque expulsar a população palestina da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e da Faixa de Gaza, sublinhando que "gerir a ocupação em vez de pôr fim a ela é viver em uma ilusão".
"O Egito reafirma sua rejeição categórica a toda tentativa de deslocar o povo palestino de sua terra, seja falamos da Faixa de Gaza ou da Cisjordânia, incluindo Jerusalém", manifestou desde Nova York, sede esta semana da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Madbuly colocou o foco em que o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 na cidade egípcia de Sharm el Sheij, o fim das "violações cotidianas de Israel", a chegada sem obstáculos de ajuda humanitária a Gaza e os projetos para deter a ofensiva e reconstruir o enclave palestino "não são etapas humanitárias, mas sim os marcos fundamentais de um processo político sério que atenda as causas raízes do conflito".
Nesse contexto, advertiu que a situação que enfrentam os habitantes de Gaza "não pode ser normalizada, não pode se tornar uma crise prolongada" e lembrou à comunidade internacional que "tem uma responsabilidade clara de frear as violações sistemáticas do Direito Internacional por parte de Israel".
"Isso não pode passar por desarraigar um povo de sua terra. A estabilidade pode ser alcançada na região, mas ignorar o sofrimento do povo palestino e simplesmente gerir a ocupação em vez de pôr fim a ela é simplesmente viver em uma ilusão", assinalou.
O chefe do Governo egípcio insistiu na necessidade de um Estado palestino independente com as fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como capital, um marco institucional que permita aos palestinos decidir sobre seu presente e seu futuro, além de "rejeitar o castigo coletivo e dar garantias de respeito ao Direito Internacional Humanitário" e "reconhecer os direitos dos palestinos como inalienáveis não como moedas de troca que dependem de cálculos eleitorais ou de outros interesses".
O primeiro-ministro assegurou que o Egito continuará fornecendo ajuda humanitária, mas reclamou "passar de gerir a tragédia a arrancar de raiz suas causas". "O Egito está comprometido com o respeito às instituições, a rejeição ao desmantelamento dos estados e com dar prioridade às soluções políticas, assim como também evitar a lógica da força e do fato consumado", acrescentou.
Em outro ponto de seu discurso, referiu-se à segurança hídrica, ressaltando que não é apenas um fator econômico, mas que "é o pulmão do qual depende a existência e a sobrevivência de nossa sociedade". Defendeu que os recursos compartilhados devem ser administrados "através de boa vizinhança e de acordos vinculativos com o Direito Internacional" e não por meio de decisões "unilaterais" nem políticas de fatos consumados.
"O desenvolvimento e a segurança hídrica não são objetivos que se contradizem entre si.
Não nos opomos ao direito de nenhum povo a acessar o desenvolvimento, mas queremos que se aplique um princípio justo e claro. O desenvolvimento de uma parte não pode depender de causar dano a outra", ressaltou.
Além disso, defendeu a reforma do Conselho de Segurança para que seja mais representativo do equilíbrio de poder atual, já que, segundo indicou, seus integrantes "refletem desequilíbrios históricos já caducos". Diante de uma cena geopolítica em rápida mutação, defendeu um processo de desarmamento "no qual não haja dois pesos e duas medidas".
"Estamos comprometidos também com estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, assim como também de outras armas. A segurança coletiva não passa por acumular armas de destruição, mas por contar com obrigações, regras, e também ter vontade política que prioriza frear a escalada, em vez de responder quando já se está em uma crise", concluiu.