O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou esta quinta-feira que a ONU já examinou o relatório que sustenta que os Estados Unidos teriam incorrido em crimes de guerra em vários bombardeios realizados no Irã. Dujarric descreveu as conclusões do documento como "impactantes" e reclamou que se apurem responsabilidades pelos fatos que são detalhados no dossiê.
"Claro que conhecemos perfeitamente este relatório, que foi publicado por uma comissão independente. Acho que suas conclusões são, no mínimo, impactantes", apontou o porta-voz em uma coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre o trabalho da Comissão de Assuntos Internacionais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Na mesma aparição, o representante de António Guterres insistiu na necessidade de exigir "prestação de contas", ao mesmo tempo que sublinhou "a importância destes relatórios e da necessidade de que as pessoas cooperem com eles".
As palavras de Dujarric ocorrem após uma comissão de investigação da ONU tornar público esta quinta-feira um relatório no qual conclui que existem "motivos razoáveis" para considerar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques aéreos lançados contra uma escola e um poliesportivo durante as primeiras fases da ofensiva iniciada em fevereiro junto a Israel contra o Irã.
Após o conhecimento do documento, a Casa Branca respondeu atacando o Conselho de Direitos Humanos da ONU, assegurando que "vem há décadas soltando disparates sem sentido", e defendendo que "a única parte neste conflito que cometeu crimes de guerra é o regime iraniano, que assassinou milhares de seus cidadãos".
Está previsto que o Conselho de Direitos Humanos, composto por 47 Estados membros, receba formalmente o relatório na próxima segunda-feira para seu exame.