A ex-presidente chilena Michelle Bachelet comunicou neste sábado que retira sua aspiração de se tornar a próxima secretária-geral das Nações Unidas, cargo que atualmente ocupa o português António Guterres, cujo mandato termina no final de 2026.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Bachelet explicou os motivos de seu recuo: "Alguns acreditarão que não eram os tempos para uma candidatura como a que quis representar, quando os ventos sopram fortes contra princípios com o multilateralismo, contra o Direito Internacional permanentemente transgredido. A existência da mudança climática alguns negam, apesar da evidência científica, e a democracia e os direitos humanos que se encontram em perigo".
A ex-líder socialista optou por não seguir adiante com seu projeto, embora tenha sublinhado que não se arrepende de ter apresentado o que qualificou como um "grande desafio".
"Estou convencida de que era o momento de levantar a voz por esses princípios que têm sido orgulhosa bandeira da minha postulação", destacou, ao mesmo tempo em que ressaltou que, embora finalmente não possa suceder a Guterres, "contribuímos para instalar no debate global que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina".
Na mesma linha, defendeu que a pessoa que assuma a liderança da organização seja "uma pessoa verdadeiramente independente e leal aos princípios da Carta" das Nações Unidas, e que a "enarbole com rigor, frente aos estados, sem importar seu tamanho ou seu poder".
A ex-mandatária também expressou seu reconhecimento ao apoio recebido, agradecendo o apoio "generoso" dos presidentes do Brasil e do México, Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum, assim como o dos chilenos que lhe "sua estima e apoio".
O anúncio ocorre apenas um dia depois de serem conhecidos os resultados da terceira pesquisa informal realizada no Conselho de Segurança, na qual Bachelet obteve um único voto a favor, frente a onze contra e três "sem opinião".