Noruega retém um navio russo após uma demanda da Naftogaz pela anexação da Crimeia

Noruega retém o navio russo Professor Molchanov a pedido da Naftogaz para executar um laudo milionário pela anexação russa da Crimeia.

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As autoridades norueguesas retiveram nesta quarta-feira um navio de bandeira russa depois que a companhia estatal ucraniana de petróleo e gás Naftogaz solicitou sua apreensão e em cumprimento a uma ordem emitida por um tribunal norueguês. A medida se enquadra na estratégia da empresa para cobrar parte dos mais de 3.600 milhões de euros fixados por um tribunal de arbitragem de Haia como compensação pelos ativos de Naftogaz na Crimeia, expropriados após a anexação russa desta península, reconhecida 'de iure' como território ucraniano.

"A Polícia de Svalbard recebeu uma ordem do Tribunal de Distrito de Nord-Troms e Senja para deter e apreender o navio 'Professor Molchanov'. Hoje detiveram o navio em Barentsburg", declarou ao diário norueguês 'Aftenposten' o chefe de operações da Polícia do arquipélago, Hakon Finstad.

A operação também foi ratificada pelo governador de Svalbard, Lars Fause. "O Tribunal de Distrito ordenou que o navio atracasse em um local determinado pelo governador, e foi decidido que permanecerá atracado em Barentsburg até que o governador ou o Tribunal de Distrito decidam o contrário", indicou em declarações à radiodifusão estatal NRK.

O responsável político ressaltou que as instituições de Svalbard fornecerão "assistência aos afetados por esta detenção". "Também facilitaremos o retorno da tripulação e dos passageiros à Rússia", acrescentou.

Ao mesmo tempo, deixou claro que sua intenção é "abordar este assunto a nível local, por meio da cooperação, do diálogo e da discussão com as autoridades de Barentsburg". "Quanto à política externa, remeto a Oslo", assinalou, remetendo assim ao Governo central norueguês.

Além disso, explicou que já "dialogou com as autoridades de Barentsburg, explicou o motivo e os passos a seguir". "Se desejam contestar essa decisão, devem fazê-lo perante o Tribunal de Distrito de Nord-Troms e Senja", anotou em referência ao segundo assentamento mais populoso do arquipélago, onde reside majoritariamente população de nacionalidade russa.

Embora Svalbard faça parte da Noruega, Moscovo conserva o direito de explorar recursos naturais na zona em virtude de um tratado assinado em 1920, o que justifica também sua presença diplomática em Barentsburg. O 'Professor Molchanov' —relacionado com o Instituto Oceanográfico Shirshov, sancionado pelos Estados Unidos e Ucrânia— está há anos realizando pesquisas sobre o leito marinho em torno das ilhas em busca de minerais, segundo detalha a NRK.

Naftogaz insiste em perseguir bens russos para executar o laudo

Sobre a apreensão também se pronunciou a Naftogaz, que sublinhou em um comunicado que a atuação foi realizada "a pedido do Grupo Naftogaz", e expressou seu agradecimento "às autoridades norueguesas pela colaboração para exigir responsabilidades à Federação Russa".

A energética ucraniana descreveu a decisão das autoridades norueguesas "como parte dos esforços globais para executar o laudo arbitral obtido pela Naftogaz e outras empresas do Grupo contra a Federação Russa pela expropriação ilegal de seus ativos na Crimeia, território que a Rússia anexou ilegalmente em 2014".

No texto, a companhia lembra os valores do laudo, "que somam aproximadamente 4.220 milhões de dólares (mais de 3.640 milhões de euros), mais juros e custas", e avaliou a apreensão como "outro passo importante para restabelecer a justiça".

"A Rússia não pode eludir sua responsabilidade simplesmente se negando a cumprir com um laudo arbitral internacional. Continuaremos perseguindo ativos russos em todo o mundo até que a indenização concedida à Naftogaz e a outras empresas do Grupo Naftogaz seja paga", declarou o diretor executivo interino do grupo, Sergi Fedorenko.

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