O Congresso de Sinaloa, no noroeste do México, aprovou neste domingo o novo pedido do governador Rubén Rocha Moya para se afastar de seu cargo de forma temporária e indefinida, em meio à controvérsia gerada por sua reintegração ao posto na última sexta-feira, após ter permanecido mais de 100 dias afastado de suas funções enquanto era objeto de uma investigação por supostos crimes relacionados ao narcotráfico.
"Por unanimidade se aprova a licença nos termos solicitados pelo doutor Rubén Rocha", destacou o presidente da Deputação Permanente do Congresso de Sinaloa, Manuel de Jesús Guerrero, durante uma sessão pública extraordinária.
A resolução do Legislativo sinaloense ocorre um dia depois de Rocha Moya registrar formalmente seu pedido de licença temporária "com caráter indefinido" e "por mais de 30 dias" para deixar o cargo de governador, trâmite que fez público divulgando seu escrito através de redes sociais.
Questionada pelos jornalistas sobre essa decisão, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, avaliou que é "o melhor para Sinaloa" e insistiu que o pedido de Rocha obedece a uma "decisão pessoal".
"Assim como tomou a decisão pessoal de retornar, também foi uma decisão pessoal de se afastar", ressaltou a mandatária, acrescentando que não falou com ele "desde a primeira vez que pediu (a) licença". Ambos fazem parte do partido de esquerda Morena (Movimento de Regeneração Nacional), criado pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador durante sua campanha à Presidência nas eleições de 2012.
Na mesma sexta-feira, Rocha havia anunciado de forma inesperada seu retorno ao cargo, assegurando estar "de volta" e que retomava "a responsabilidade de governar e trabalhar por Sinaloa e seu povo", após meses afastado, a pedido próprio, para se apresentar à Promotoria no contexto da investigação aberta por seus supostos laços com o narcotráfico.
Seu retorno desencadeou um intenso debate político interno, com críticas destacadas como a da própria Sheinbaum, que sustentou que "nenhum interesse pessoal pode estar jamais acima dos interesses do povo e da Nação" e alertou que o "poder sem princípios se torna arrogância".
Convém lembrar que no mês passado de maio o governador já havia solicitado ao Congresso de Sinaloa uma licença temporária para deixar o cargo e poder enfrentar as acusações de narcotráfico formuladas pelos Estados Unidos contra ele e outros nove funcionários do Governo estadual.