O embaixador dos EUA no Chile atribui a "ativistas de esquerda" os distúrbios de 2019

Brandon Judd atribui a "ativistas de esquerda" os distúrbios de 2019 no Chile e Exteriores o cita para esclarecer a informação de Inteligência.

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O embaixador dos Estados Unidos no Chile, Brandon Judd, assegurou nesta terça-feira que, segundo as agências de Inteligência americanas, foram "ativistas de esquerda" quem esteve por trás dos graves distúrbios registrados durante a explosão social de 2019 no Chile. Naquele ano, um forte aumento do preço do transporte público desencadeou protestos massivos que se prolongaram durante meses e canalizaram o descontentamento social pela desigualdade no país.

"Em 2019, o que nossa Inteligência nos diz é que, categoricamente, provinha de organizações de esquerda ou de ideologia de esquerda", destacou o representante diplomático em uma entrevista com a rede CNN, insistindo que "sem dúvida, as evidências apontam que foram ativistas de esquerda quem perpetraram" os distúrbios que abalaram então o país sul-americano.

Diante da insistência da jornalista sobre se dispõe de informações de Inteligência que vinculem diretamente os protestos com forças de esquerda, Judd respondeu que "absolutamente".

"Quando nossas agências de inteligência analisam, e quando digo analisar não digo que tenham vindo ao Chile para fazê-lo, mas quando fazemos uma análise do que ocorreu em 2019, sem dúvida as evidências apontam que foram de fato ativistas de esquerda quem perpetraram esses distúrbios ou as alterações que foram vistas", ressaltou o embaixador.

Quanto a esse "análise específica" elaborado pelos serviços de Inteligência dos Estados Unidos, Judd explicou que ainda não foi remetido à Justiça chilena, embora não descarte que possa ser compartilhado mais adiante.

"Não entreguei essa informação à Justiça chilena. Até onde sei, o que ocorreu em 2019 não está em disputa neste momento", indicou, acrescentando que, se o Executivo chileno se "aproximasse" de Washington e "solicitasse inteligência específica", poderia ser facilitada, já que ambos os países "compartilham informações de Inteligência". No entanto, ele destacou que, por enquanto, não tem conhecimento de que exista um pedido formal nesse sentido.

Exteriores cita o embaixador para esclarecer suas afirmações

Após essas declarações, o Ministério de Exteriores do Chile reagiu convocando Judd para requerer detalhes sobre os antecedentes que os Estados Unidos possuem em relação aos episódios de violência de 2019.

"O Ministério das Relações Exteriores convocou para esta quarta-feira o embaixador dos Estados Unidos no Chile, Brandon Judd, com o objetivo de solicitar informações a respeito dos antecedentes relacionados com os episódios de violência ocorridos em 18 de outubro de 2019 e nos dias posteriores", comunicou a Chancelaria chilena.

O Ministério sublinhou, além disso, que considera de "máxima importância" toda a informação que "contribua para esclarecer os fatos ocorridos durante esse período e colocá-la à disposição das instâncias que correspondam para identificar os responsáveis pelos atos de violência".

Segundo um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), durante os protestos de 2019 ocorreram ataques contra propriedades privadas, recintos religiosos, infraestruturas públicas e sedes de meios de comunicação. O organismo também concluiu que as forças de segurança agiram "de maneira desproporcional" e que houve um "uso excessivo da força" por parte do Estado, então presidido por Sebastián Piñera, que decretou o estado de emergência e um toque de recolher para tentar conter as mobilizações.

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