O Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA) informou neste sábado a entrada em vigor de um cessar-fogo limitado na área da central nuclear de Zaporiyia, com o objetivo de facilitar os trabalhos de reparação da linha elétrica que abastece as instalações, após um prolongado corte provocado pelos ataques cruzados entre Ucrânia e Rússia.
"Entrou em vigor outro cessar-fogo localizado negociado pelo OIEA para permitir as reparações da linha elétrica necessárias para restabelecer o fornecimento elétrico externo à central nuclear de Zaporiyia", confirmou a entidade dependente das Nações Unidas em uma mensagem nas redes sociais.
O organismo explicou que, em pleno intercâmbio de fogo entre as forças russas e ucranianas, "a central perdeu a conexão com sua única linha elétrica restante -a de 330 quilovolts Ferosplavna-1- em 20 de agosto", o que nas últimas semanas obrigou a planta a se apoiar em geradores a diesel de emergência para manter a refrigeração de seus seis reatores e das piscinas onde se armazena o combustível usado.
"A central está ficando sem reservas de combustível a diesel e enfrenta um possível apagão total em questão de dias, a menos que se restabeleça o fornecimento elétrico externo ou se possam transportar mais reservas de combustível até as instalações, situadas em uma zona de guerra ativa", advertiu o OIEA, que precisou que os técnicos ucranianos iniciarão as tarefas de reparação da linha elétrica ao longo do dia "uma vez que a área tenha sido desminada".
O diretor-geral do OIEA, Rafael Grossi, destacou que tanto Moscovo quanto Kiev colaboraram "de forma construtiva" para reforçar a segurança e a proteção nuclear. Além disso, detalhou que uma equipe do organismo estará presente no local para supervisionar os trabalhos durante a trégua, a sétima dessas características ao redor da central, com a finalidade de reduzir ao máximo o risco de um acidente nuclear.