A ministra da Defesa, Margarita Robles, reiterou nesta terça-feira no Congresso que Ceuta e Melilla "são Espanha e intocáveis" e sublinhou que qualquer violação da soberania nacional será respondida "com firmeza".
Durante sua intervenção na Comissão de Defesa para analisar a crise gerada pela entrada massiva em Ceuta de imigrantes provenientes do Marrocos no final de julho, a responsável pela Defesa insistiu que "é essencial que ninguém tenha a menor dúvida" sobre a espanholidade de ambas as cidades. Em várias ocasiões, destacou "para que não fique nenhuma dúvida" que as duas cidades autônomas "são Espanha" e "intocáveis".
"Não é que sejam espanholas, são espanholíssimas, e não vamos permitir que seus valores de convivência e tolerância sejam colocados em perigo ou discussão", afirmou Robles. Nessa linha, alertou que "qualquer agressão ou tentativa de agressão" se dirige contra "Espanha inteira", ressaltando que a soberania e a integridade territorial do país "são intocáveis".
A ministra lembrou que a defesa da soberania territorial e a proteção da segurança dos cidadãos espanhóis pertencem ao Estado, e assegurou que qualquer quebra desses princípios será respondida "com firmeza", sempre dentro do marco da legalidade vigente.
Nesta parte de sua intervenção, Robles evitou citar expressamente o Marrocos, ao contrário do que fez após a entrada massiva, quando reclamou a Rabat "não tocar" em Ceuta e Melilla. Suas palavras contrastam com as de outros membros do Executivo, que continuam defendendo que o país vizinho é um parceiro "fiável" e "leal".
Utilizar a crise com finalidade política
"Não nos enganemos: há muitas questões que levarão tempo para serem conhecidas e outras que nem chegaremos a conhecer", apontou a ministra. Em seguida, aludiu a "atores interessados que provavelmente tenham favorecido esta crise ou estejam utilizando-a com uma clara finalidade política de desestabilização da Espanha e da UE".
Também aludiu à "constatação da proliferação de ataques e ameaças híbridas" que, disse, "tornam mais necessário do que nunca o reforço de uma atuação conjunta das sociedades democráticas em defesa dos valores e do respeito à vida e dignidade de todos os seres humanos".
Robles reclamou que a UE mantenha um "papel essencial" neste terreno, junto com as forças policiais, os serviços de inteligência e as autoridades judiciais, com o objetivo de "lutar contra a criminalidade organizada e contra as máfias que traficam com seres humanos". Ao mesmo tempo, defendeu reforçar a ajuda econômica e social aos países de origem da imigração para abordar as causas que a provocam.
É preciso trabalhar com Marrocos
"Europa e Marrocos, como países que compartilham fronteira, devem continuar trabalhando conjuntamente e sem poupar meios nem esforços para cortar a imigração irregular", limitou-se a afirmar a ministra, ressaltando que "o que aconteceu no dia 30 de julho não pode voltar a ocorrer".
Além disso, Robles quis transmitir desculpas aos cidadãos de Ceuta que puderam ter se sentido "abandonados" ou "não suficientemente acompanhados" durante a crise.
A titular da Defesa admitiu a "angústia" que os ceutianos puderam experimentar e expressou sua "empatia". "Quero dizer-lhes que não estão abandonados e não estarão, que não se sintam assim", concluiu.