O presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, considera factível que o próprio chefe do Executivo, Pedro Sánchez, acabe se deslocando a Waterloo para negociar os Orçamentos Gerais do Estado (PGE) com o ex-presidente da Generalitat Carles Puigdemont, da mesma forma que anteriormente enviou aquele que foi secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, e o ex-mandatário José Luis Rodríguez Zapatero.
"O senhor Sánchez enviou o melhor que tinha em cada casa para conseguir a aliança com Puigdemont: mandou o senhor Cerdán, mandou o senhor Zapatero e só resta ele. Mas quem se acredita que iam sem que Sánchez os mandasse? Talvez, a lo mejor, o senhor Puigdemont não queira uma fotografia com o senhor Sánchez, mas isso eu não sei", assinalou em uma entrevista concedida à Europa Press.
O Governo avançou em junho que após o verão abriria a rodada de contatos para negociar as novas contas públicas. Questionado se vê possível uma imagem de Sánchez e Puigdemont para tentar aprovar os PGE, Feijóo respondeu que não tem "nenhuma dúvida" de que esse encontro pode chegar a ser realizado.
"Continuamos pensando que a anistia não cabe na Constituição"
Em relação a se ao PP lhe inquieta que Puigdemont possa retornar e se apresentar como candidato se o Tribunal Constitucional resolver antes de umas gerais o recurso contra a negativa a aplicar-lhe a anistia, o líder do PP ressaltou que sua formação tem como base e princípio "a defesa do Estado de Direito". "Que se atue conforme ao Estado de Direito", reclamou.
Ainda assim, o chefe da oposição reiterou que o Partido Popular mantém que a anistia "não cabe na Constituição". "Mas não somos o Tribunal Constitucional", ressaltou.
Para Feijóo, a anistia foi "a compra da investidura" de Pedro Sánchez. "Uma compra com uma fraude massiva eleitoral porque constantemente se pronunciou contra a anistia e uma fraude legal porque entendemos que a anistia não cabe na Constituição", acrescentou.
Embora tenha assegurado que o PP vai respeitar e "assumir" as resoluções do Supremo e do TC, "como sempre", avisou que será a "responsabilidade" dos magistrados que assinarem as decisões sobre os recursos pendentes de Puigdemont e outros dirigentes do 'procés'. "Há outros que não quiseram assinar e o Tribunal Supremo tem suas próprias competências", incidiu.
Neste contexto, ele defendeu a modificação do funcionamento da corte de garantias. "O que está claro é que precisamos de uma reforma do Tribunal Constitucional tanto para seus componentes quanto para suas competências. Temos que acreditar quais são as competências do Supremo e quais são aquelas competências que o Constitucional não pode invadir no âmbito da jurisdição ordinária", expôs.
Relação com Vox e acordos de governo
Após os acordos com Vox na Extremadura, Aragão, Castela e Leão e Andaluzia, destacou que o PP se impôs nas eleições nessas comunidades enquanto o PSOE obteve "o pior resultado de sua história", e ressaltou que cumpriram o que prometeram "desde o início": "dar estabilidade".
Na Extremadura e Aragão, justificou a antecipação eleitoral porque, segundo disse, se os orçamentos forem prorrogados pela segunda vez é obrigatório convocar eleições. Nas outras duas autonomias, chamou às urnas uma vez "finalizada a legislatura", pontuou.
Questionado sobre se, em caso de precisar do Vox após umas gerais, estaria disposto a formar um governo de coalizão com o partido de Santiago Abascal, reiterou que a prioridade é garantir a estabilidade e defendeu que o PP aposta em acordos de governo "transparentes" e não em um "pacto encapuzado com Bildu".
Assim, ressaltou que se trata de pactos "de acordo com a ordenação jurídica" espanhola e lembrou que antes fixaram "um marco de negociação" do PP "com Vox ou com qualquer outro partido". "E esse marco é conhecido. Nós vamos proteger, por supuesto, a Constituição, vamos cumprir a ordenação jurídica, vamos defender o Estado das Autonomias e vamos proteger os princípios básicos que emanam da ordenação jurídica do nosso país", enfatizou.
Espanha, diante de uma situação "delicada" e necessidade de um governo "forte"
O presidente do PP insistiu que a conjuntura que atravessa a Espanha é a "mais delicada" de sua história, mencionando expressamente a "invasão" em Ceuta. Em sua opinião, para enfrentar "essas crises existenciais como Estado" é necessário "um Governo muito sólido e muito forte" que disponha de "a maior legitimidade democrática possível".
"E isso é um governo do Partido Popular. Se os espanhóis nos derem o encargo com essa legitimidade esmagadora para governar sozinhos, não tenha você nenhuma dúvida. Esse é meu objetivo", afirmou, para ressaltar que a política externa espanhola "precisa de muita determinação, muita diplomacia e muita firmeza" e "não de manchetes nem frases grandiosas".
Na opinião de Feijóo, "mais do que nunca, a situação crítica da Espanha precisa de um Governo com a enorme legitimidade que teve o Governo de Felipe González, o Governo de Aznar no ano 2000 ou o Governo de Rajoy no ano 2011".