O presidente do Governo, Pedro Sánchez, sustenta que os documentos desclassificados esta quarta-feira sobre a entrada massiva de imigrantes em Ceuta no passado 30 de julho evidenciam que a informação enviada pelo Centro Nacional de Inteligência nos dias anteriores não refletiu a "escala, natureza ou probabilidade do que aconteceu depois".
Segundo sublinhou, o Centro "se limitou" a transmitir os dados "por mensagem e breve chamada telefônica ao Gabinete da Delegação do Governo de Ceuta e à UCE-3 da Guarda Civil", mas "não emitiu nenhum alerta maior à sua cadeia de comando das Forças Armadas, da Polícia Nacional ou do Ministério da Defesa", assinalou em uma mensagem divulgada na rede social X.
Ainda assim, defendeu que a atuação do CNI foi "compreensível" com "a informação que existia então" porque "ninguém podia antecipar a crise migratória que ocorreu nos dias 30 e 31". "Nenhum organismo competente o fez. Nem na Espanha, nem na UE".
Em sua explicação, Sánchez indicou que "o CNI informou à Delegação do Governo em Ceuta que estava circulando uma convocação em dois grupos de Facebook para entrar na cidade de forma irregular durante a semana da Festa do Trono". "E acrescentou que esses grupos somavam "um total de 180.000 seguidores" para que seus interlocutores se fizessem "à ideia do alcance da difusão"".
No entanto, para o chefe do Executivo, a presença desta campanha, que "estava sendo monitorada", "de modo algum constituía ou poderia ser interpretada como um indicador" da posterior crise migratória que se desencadeou, com a entrada de 72.000 pessoas na cidade autônoma.
Finalmente, reiterou seu apoio à resposta do Governo e dos "trabalhadores públicos" por "agir quando se materializou a ameaça mobilizando todos os recursos disponíveis". "E continuaremos fazendo isso até que Ceuta recupere a normalidade e tenha a prosperidade que merece", rematou.