O CGPJ propõe reforçar os tribunais de plantão e de violência contra a mulher em Ceuta diante da crise migratória

O CGPJ reclama mais meios e pessoal nos tribunais de Ceuta, sobretudo em guarda e violência sobre a mulher, diante do impacto da crise migratória.

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O Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ) vê "necessário" reforçar o turno de plantão dos tribunais de instrução de Ceuta e os órgãos especializados em violência contra a mulher para tramitar os procedimentos por supostos crimes sexuais, com o fim de "enfrentar a crise migratória" que atravessa a cidade autônoma após a entrada maciça de pessoas provenientes do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho.

Em uma nota divulgada após a reunião da Comissão Permanente, o órgão de governo dos juízes sublinha a conveniência desse reforço e comunica que já o colocou em conhecimento do Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia, Ceuta e Melilla e do presidente do Tribunal de Instância de Ceuta, a fim de que possam cursar a solicitação correspondente.

Ao mesmo tempo, e atendendo à conjuntura atual, a comissão decidiu adiar a exoneração de um juiz com expectativa de mudança de destino que atua como apoio no tribunal com competência em violência contra a mulher.

O CGPJ examinou um relatório que havia solicitado no dia 5 de agosto sobre a situação da seção civil e de instrução do tribunal ceutiano "à vista da crise migratória ocorrida".

Impacto na seção civil e de instrução

"O relatório adverte que o que aconteceu nesses dias afetou de maneira extraordinária o desenvolvimento do serviço público de justiça, especialmente à seção civil e de instrução do Tribunal de Instância e, particularmente, à prestação do serviço de plantão", aponta o CGPJ.

De acordo com os dados coletados nesse documento, entre 30 de julho e 5 de agosto foram instaurados 96 procedimentos preliminares por falecimento, 23 procedimentos preliminares derivados de pessoas detidas e colocadas à disposição judicial e 15 procedimentos urgentes por fatos ocorridos nessas datas. Na semana de 5 a 11 de agosto, foram registrados ainda outros 72 boletins com detidos ou citados.

O órgão de governo dos juízes aponta que, embora o tribunal superior de justiça e outras autoridades já tenham colocado em marcha "medidas efetivas para a continuidade do serviço", como a incorporação de magistrados ao turno de plantão, o relatório ressalta que a prolongação da crise "requer a adoção de medidas de maior duração e estabilidade", entre elas comissões de serviço "com ou sem relevância de funções" para magistrados e funcionários.

O relatório foca na situação do Tribunal de Instância de Ceuta com competência em violência sobre a mulher "devido ao aumento da carga de trabalho recebida como consequência da crise migratória, especialmente de assuntos relativos a supostas agressões sexuais, e diante da próxima cessação do juiz em expectativa de destino que presta serviços de reforço", segundo a comunicação oficial.

Reforços de pessoal e meios

O CGPJ também destaca a "necessidade" de "aumentar" de forma temporária o "pessoal experiente" nos tribunais, tanto funcionários como um advogado da Administração de Justiça, "até a superação da crise". Em concreto, o reforço solicitado se concretiza em um gestor, dois tramitadores e um auxílio judicial.

Além disso, o Conselho transmitiu ao Ministério da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes a conveniência de "incorporar dois intérpretes e um serviço urgente de avaliação pericial para o serviço de plantão".

Por fim, indica-se que o vogal José Antonio Montero se deslocará aos órgãos judiciais de Ceuta para avaliar in loco a situação e as necessidades derivadas do atual contexto migratório.

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