O Governo ordenou retirar temporariamente do mercado cerca de 188.000 toneladas de azeite de oliva, o equivalente a 12 % da produção das almazaras durante a campanha 2026/2027. A medida, publicada no Boletim Oficial do Estado (BOE), procura regular a oferta e estabilizar o mercado diante das previsões de produção e das existências acumuladas. O azeite afetado deverá permanecer armazenado até 30 de setembro de 2027.
Nesse contexto, uma das dúvidas que pode surgir entre os consumidores é como saber de que colheita procede o azeite que compram. A resposta não está necessariamente na data que aparece de forma mais visível na embalagem: a data de consumo preferente e a campanha de colheita são dados distintos.
A normativa europeia permite indicar a campanha de colheita nos rótulos do azeite de oliva virgem e virgem extra, mas estabelece uma condição: 100 % do conteúdo da embalagem deve proceder dessa mesma colheita. Portanto, nem todos os azeites precisam incluir este dado e sua ausência não significa que o produto seja antigo ou de pior qualidade. Onde aparece a colheita no rótulo
Para conhecer o ano em que as azeitonas foram colhidas, é preciso procurar uma referência expressa à campanha de colheita. Pode aparecer como uma campanha de comercialização — por exemplo, 2026/2027 — ou mediante o mês e o ano da colheita, nessa ordem.
Essa indicação é voluntária e só pode constar nos azeites de oliva virgem e virgem extra quando todo o conteúdo da embalagem proceder dessa colheita. A norma também precisa que o mês indicado deve corresponder ao da extração do azeite das azeitonas.
Por isso, se uma garrafa não inclui essa informação, o consumidor não pode conhecer com exatidão a colheita apenas a partir do restante das datas impressas na embalagem.
O que significa a data de consumo preferente
A data de consumo preferente é uma das menções obrigatórias da rotulagem, mas não indica quando as azeitonas foram colhidas nem quando o azeite foi elaborado. Ela indica até quando o fabricante garante que o produto conserva suas propriedades específicas se tiver sido armazenado nas condições adequadas.
Não deve ser confundida com uma data de validade. No caso do óleo, a qualidade pode diminuir com o passar do tempo, especialmente devido à exposição à luz, ao ar e ao calor. Por isso, embora a data de consumo preferente seja uma referência importante para organizar o seu consumo, não permite determinar por si só a antiguidade da colheita.
Como conservar o óleo para que mantenha as suas propriedades
A forma de guardar o óleo influencia diretamente a sua conservação. A Comunidade de Madrid recomenda mantê-lo longe de fontes de calor e da luz solar, além de utilizar recipientes fechados que o protejam do contato com o ar e a humidade.
Depois de aberto, convém fechar bem a garrafa após cada utilização e evitar deixá-la perto dos fogões ou em locais onde receba luz direta. Estas precauções ajudam a abrandar a deterioração das suas características organoléticas.
A cor não indica se um óleo é melhor
Outro erro habitual é utilizar a cor como referência para avaliar a qualidade do óleo de oliva. No entanto, um tom mais verde ou mais dourado não demonstra que um produto seja melhor do que outro.
A cor depende de fatores como a variedade de azeitona e a colheita. Tanto os óleos virgens como os virgens extra podem apresentar tonalidades e aromas diferentes, sem que isso determine por si só a sua qualidade.
A categoria comercial —virgem extra, virgem ou óleo de oliva— e as características que constam na rotulagem são referências muito mais úteis para comparar produtos. O guia de consumo da Comunidade de Madrid recorda, além disso, que a qualidade do óleo não pode ser verificada apenas pela sua aparência: a deteção de determinados fraudes requer controlos especializados e painéis de prova autorizados.